No Marrocos, ofícios curiosos chamam a atenção na Festa do Sacrifício

Mohammed Siali.

Rabat, 13 set (EFE).- Além de um rito muçulmano, a Festa do Sacrifício, ou "Eid al-Adha", é no Marrocos um momento no qual também ressurgem muitos pequenos ofícios temporários durante os dias prévios e posteriores ao sacrifício do cordeiro.

Poucos dias antes da festa, é comum ver nas diversas ruas do país barracas onde são prestados vários tipos de serviços: desde amolar facas à venda de carvão para assar carne ou de alimentos para cordeiros.

Em alguns bairros há quem também se encarrega de erguer "pequenos currais" para cuidar dos cordeiros dos vizinhos nos dias anteriores ao momento do sacrifício do animal.

Assim, esses "guardiões" economizam para muitas famílias os balidos e os fortes cheiros do animal, assim como as tarefas penosas de limpar o local onde fica o cordeiro e a necessidade de alimentá-lo.

Mohammed Musaid, de 22 anos, é um desses guardiões que tem sob sua responsabilidade uma dezena de cordeiros em um pequeno curral no bairro de Karima, na cidade de Saleh, ao lado de Rabat.

"Sou estudante, e esta é a primeira vez que me encarrego desta tarefa. Quero ajudar meus vizinhos porque não eles têm espaço em suas casas, nem tempo para manter o cordeiro", disse o jovem à Agência Efe.

Musaid não quis revelar quanto, ou o quê cobra por este ofício e explicou que não se tratam de tarifas fixas, mas negociáveis.

Habitualmente, as tarifas são estabelecidas a partir de 30 dirhams (2,7 euros) por noite para cada cordeiro; um preço que inclui as despesas de manutenção do animal com água e pasto nos dias anteriores a seu sacrifício.

Outro trabalho que faz muito sucesso durante os dias do Eid é do amolar facas. Na mesma cidade de Saleh, filas de homens e mulheres esperam de pé em frente ao ponto de Hamid al Bidi, um afiador tradicional de 40 anos.

Para exercer seu trabalho, Bidi tem uma única ferramenta: uma pedra de amolar grande em forma de roda que ele vai girando com o uso de pedais na medida em que vai afiando as facas.

"Herdei este ofício de meu pai e o faço há 16 anos. Sou vendedor de peixes, mas, quando é necessário, trabalho como amolador", disse Bidi à Efe.

Além desses trabalhos anteriores à festa, outros surgem durante o mesmo dia em que se sacrifica o animal.

É o caso dos abatedores ambulantes, alguns dos quais são açougueiros de profissão, e que são comuns durante o dia do Eid caminhando pelas ruas das cidades marroquinas buscando clientes, com suas roupas manchadas de sangue e suas facas nas mãos.

O papel dos abatedores supera, em várias ocasiões, a missão de degolar o animal, e se estende às tarefas de remover o couro e desmembrá-lo.

Assim que o animal é sacrificado, é a vez da intervenção de outros trabalhadores, como os que recolhem as peles do animal para vendê-los nas oficinas de curtume, e aqueles que acendem pequenas fogueiras nas ruas para queimar as cabeças e patas do cordeiro e chamuscar os pelos.

Todos esses trabalhos quase não existem mais nos povoados marroquinos, já que as famílias estão acostumadas a lidar com essas mesmas atividades.

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