ONU verifica significativa redução de violência na Síria após cessar-fogo

Genebra, 13 set (EFE).- A entrada em vigor do cessar-fogo na Síria há 24 horas implicou em uma significativa redução da violência e uma relativa calma reinou nesta terça-feira em áreas onde os combates eram constantes, garantiu o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura.

"O mais delicado agora é que qualquer incidente que possa ser evitado degenere e aumente a fragilidade do cessar-fogo", declarou De Mistura à imprensa.

O enviado especial das Nações Unidas acrescentou que "em outras palavras, devemos evitar que qualquer incidente tenha o efeito de uma bola de neve".

Estados Unidos e Rússia, principais suportes das partes combatentes na Síria, estabeleceram na sexta-feira passada um cessar-fogo que começou na tarde da segunda-feira.

De Mistura reconheceu que, apesar de a situação ter melhorado muito, se registraram alguns incidentes, mas estes estiveram "geograficamente isolados".

"Algum nível de violência continuou depois do entardecer, incluindo algumas denúncias de bombardeios aéreos e de fogo de morteiro perto da rota de Castello", detalhou De Mistura em referência à única via de acesso ao leste de Aleppo, controlado por grupos rebeldes e que foi tomado pelas forças governamentais.

O enviado especial enfatizou que, apesar disso, "cada informação que nos chegou desde esta manhã indica uma redução da violência e a calma prevalece em Hama, Latakia, Idlib e em Aleppo, tanto na cidade como na zona rural".

A mudança mais positiva foi registrada na cidade de Aleppo, onde hoje não caíram bombas.

A Rússia indicou que o primeiro prazo para fazer uma avaliação da cessação de hostilidades será 48 horas depois de seu início, após o que o desafio seguinte é que se complete uma semana inteira sem que os combates sejam retomados.

Washington e Moscou anteciparam que, se a calma for mantida por sete dias, então começarão os preparativos para estabelecer um centro conjunto de operações para atacar coordenadamente posições dos grupos terroristas Estado Islâmico (EI) e Al Nusra.

De Mistura sustentou que o passo seguinte será avançar com a assistência humanitária e que, para isso, a ONU tem preparado um comboio de 20 caminhões para sair em direção a Aleppo.

Para isso, o enviado especial indicou que o governo sírio deve garantir acesso "sem restrições" a esses caminhões, aceitando a notificação da ONU sobre seu conteúdo e sem pretender inspecionar seu interior.

Uma prática regular das forças governamentais foi a de abrir os caminhões para verificar seu conteúdo e tirar deles os remédios e provisões médicas.

Por sua parte, as forças rebeldes em Aleppo - constituídas em um Conselho Provincial - não deverão impor nenhuma condição para aceitar a ajuda.

"A prioridade é o leste de Aleppo, que esteve isolado durante muito tempo", disse o diplomata.

O setor oeste da cidade, sob controle do governo, recebe ajuda regular e a essa área também chegam cargas comerciais.

Um centro de operações no qual trabalham analistas militares e diplomatas russos e americanos, que foi constituído para supervisionar o primeiro cessar-fogo alcançado em fevereiro, mas que durou poucas semanas, voltou a funcionar na sede da ONU em Genebra, salientou De Mistura.

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