Síria vive um dia sem mortes graças à trégua e apesar das violações

Susana Samhan.

Beirute, 13 set (EFE).- A Síria não registrou nenhuma vítima mortal nesta terça-feira e a calma relativa reinou graças à trégua que entrou em vigor ontem, apesar de tanto ativistas como o governo de Damasco terem denunciado violações do cessar-fogo.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), o cessar-fogo - do qual estão excluídos os grupos jihadistas Frente da Conquista do Levante (antiga Frente al Nusra) e Estado Islâmico (EI) - foi respeitado na maior parte das áreas em que está vigente.

Um responsável da Defesa Civil síria na província de Idlib, no norte do país, Mayed Khalaf, disse à Agência Efe por telefone que seu órgão não recebeu nenhuma ligação de emergência durante o dia de hoje.

"Não houve nenhum bombardeio contra qualquer cidade ou povoado de Idlib", apontou Khalaf, que aproveitou a oportunidade para destacar que o dia foi muito tranquilo na região, onde os ataques aéreos são frequentes.

Já o ativista Mohanad Bakur, que integra a União de Coordenadoras da Revolução, afirmou que "houve uma calma tensa nas localidades e nas frentes do norte de Homs", província que fica no centro do país.

Pela primeira vez, segundo Bakur, "o regime respeitou a trégua, por isso não documentamos nenhum bombardeio ou ataque com bombas e artilharia contra qualquer lugar (do norte) de Homs", afirmou.

Já na capital Damasco, as explosões dos foguetes e dos bombardeios nas proximidades cessaram durante o dia.

No entanto, a ausência de violência em algumas áreas não impediu que ocorressem algumas violações do acordo de cessar-fogo, impulsionado por EUA e Rússia.

O OSDH detalhou que a artilharia governamental disparou contra a área de Jobar, nos arredores da capital; contra os povoados de Sasa Ocidental, Jazarayia e Duma, na província de Rif Damasco; contra as localidades de Bianu, Andam, Zitan e Al Qarasi, em Aleppo (norte), e contra a cidade de Al Hara, em Deraa, no sul do país.

Por outro lado, as facções armadas opositoras lançaram projéteis contra os arredores de Sasa, contra a parte antiga da cidade Aleppo e imediações das áreas de Jamiat al Zahrah, e contra as academias militares e o Projeto 1070, nesta mesma cidade.

O OSDH acrescentou que aviões de guerra também abriram fogo com metralhadoras na localidade de Andam, em Aleppo.

O exército sírio, por sua vez, denunciou várias violações da trégua por parte de grupos armados.

Fontes militares citadas pela agência de notícias oficial do regime, "Sana", detalharam que facções armadas lançaram bombas contra posições militares na zona das academias militares no bairro de Al Ramusa e nas proximidades da área de Castelo, na cidade de Aleppo.

Um ataque parecido aconteceu em Maardes, na província central de Hama, onde também houve disparos de franco-atiradores contra posições militares em Ma'an, de acordo com as fontes.

O único lugar da Síria onde ocorreram combates hoje foi na província de Al Quneitra, perto da divisa da região ocupada por Israel das Colinas de Golã, onde efetivos governamentais e grupos islâmicos - entre os quais figura a Frente da Conquista do Levante - protagonizaram batalhas, segundo o OSDH.

De fato, três projéteis provenientes do território sírio caíram no norte do Golã, sem deixar mortos ou feridos, segundo denunciaram as Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla me inglês).

Precisamente, a tensão com o país vizinho aumentou nas últimas horas, já que as Forças Armadas sírias asseguraram que suas defesas antiaéreas tinham derrubado na última madrugada um avião e um drone israelenses, após um bombardeio contra uma posição militar síria, em Al Quneitra; o que foi desmentido pelas autoridades de Israel.

"Aviões do inimigo israelense perpetraram à 1h do dia 13/09/2016 (horário local, 19h de Brasília da segunda-feira) um ataque contra uma de nossas posições militares em Al Quneitra, por isso, nossos meios de defesa aérea derrubaram um avião de guerra no sudoeste de Al Quneitra e um drone no oeste de Sasa", afirmou o exército sírio.

Apesar de todos esses incidentes, o enviado especial da ONU, Staffan de Mistura, confirmou em entrevista coletiva em Genebra que o país árabe experimenta "uma significativa redução da violência".

Se a trégua tiver sucesso, isto poderia representar um impulso para a reabertura de negociações de paz sobre a Síria para pôr fim a um conflito que já ultrapassou os 300 mil mortos desde o seu início em 2011, de acordo com os números divulgados hoje pelo OSDH.

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