Solução de dois Estados parece cada vez mais longe 23 anos após sua gestação

Daniela Brik.

Jerusalém, 13 set (EFE).- A solução dos dois Estados para israelenses e palestinos, concebida com a assinatura dos Acordos de Paz de Oslo há exatos 23 anos, conta com cada vez menos atrativos para ambos povos, enquanto no terreno político a paralisia é total.

Foi em 13 de setembro de 1993 que o então primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, e o histórico dirigente palestino, Yasser Arafat, encenavam o encontro entre os dois povos inimigos com um aperto de mão com a Casa Branca e o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, como cenário de fundo.

Transcorridas duas décadas da rubrica da chamada Declaração de Princípios, que abriu um processo de reconciliação após quase 100 anos de conflito, os dirigentes israelenses e palestinos seguem no mesmo ponto de origem com um conflito cada vez mais enquistado que levou analistas e diplomatas a urgir a busca de novas soluções.

Segundo refletiu uma pesquisa divulgada no mês passado, pouco mais da metade dos israelenses e dos palestinos apoia a solução de dois Estados, mas, se lhes for oferecido um acordo de paz de acordo com as últimas negociações, ambos o rejeitam majoritariamente.

Apenas 51% dos palestinos e 59% dos israelenses (53%, se for levada em conta apenas a população judaica) estão a favor dessa solução, de acordo com o estudo realizado pelo Instituto de Democracia de Israel e o Centro Palestino para Investigação Política e Pesquisas, com uma amostra de 2.454 pessoas.

Interpelados sobre um eventual acordo de paz com base no que os negociadores tiveram em cima da mesa nos últimos processos de diálogo, a maioria o rejeitou.

"A dificuldade em resolver o conflito palestino-israelense se baseia no fato de que só houve um plano sobre a mesa durante 23 anos, e esse plano não é suficientemente atrativo para nenhuma das duas partes", explicou em artigo de opinião o general israelense na reserva e antigo chefe do Conselho de Segurança Nacional, Guiora Eiland.

No plano político, a última tentativa de forçar as partes a negociar com base nessa solução, impulsionada por Washington, descarrilou inevitavelmente em 2014.

Após mais de duas décadas de infrutífero diálogo, neste ano foram impulsionadas novas iniciativas internacionais, como a da França, na forma de uma conferência de países interessados em resolver o conflito, ou a mais recente do presidente russo, Vladimir Putin, de reunir novamente em uma mesa os dirigentes de ambas partes.

"Esse encontro é possível, certamente, porque ninguém quer ofender Putin, mas não há opção de fixar um processo real que acabe com o conflito, a não ser que surjam na reunião outras ideias além da solução dos dois Estados", opinou Eiland.

Concorda com ele, em parte, Alexander Yakobson, analista do jornal ""Haaretz"", para quem a solução "fornece uma base ideológica para uma reconciliação histórica entre os dois povos. No entanto, os diplomatas deveriam certamente buscar novas formulações", com o objetivo que "ambas partes sejam capazes de viver com isso".

Para Nidal Foqah, dirigente da Coalizão de Paz Palestina, com sede em Ramala, a icônica imagem de Rabin e Arafat se cumprimentando em 1993 "fica hoje muito longe, assim como a solução de dois Estados".

Em declarações à Efe, Fogah ressaltou que "a realidade no terreno é diferente, mas o que falta é a coragem que existia em ambas lideranças: Em Israel hoje não existe mais e, por outra parte, Arafat foi um líder único que não se repetirá na nação palestina".

No entanto, esse analista avalia positivamente os resultados das últimas pesquisas que ainda apontam que uma maioria segue apoiando o fim do conflito por meio da criação de dois Estados.

"Nós, que estamos no lado da paz, somos uma minoria, mas no outro lado também são", afirmou antes de prever que "qualquer encontro entre dirigentes ou ponto de inflexão político a favor da paz aumentará o apoio a essa solução nas pesquisas".

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