Em greve de fome, ex-preso de Guantánamo refugiado no Uruguai sofre desmaio

Montevidéu, 14 set (EFE).- Jihad Diyab, um dos seis refugiados da penitenciária militar dos Estados Unidos em Guantánamo (Cuba) que foram recebidos pelo Uruguai e que faz uma greve de fome há cerca de um mês, desmaiou e ficou inconsciente, e por isso recebeu atendimento médico, algo ao que se negava desde sábado.

O refugiado sírio exige, com seu protesto, que os governos do Uruguai e dos Estados Unidos intercedam para que se possa reunir com sua família em outro país, preferencialmente árabe.

O "Grupo de Vigília por Jihad Diyab", um coletivo de ativistas ligado ao ex-detento, publicou nesta quarta-feira em redes sociais que médicos da saúde pública uruguaia "lhe aplicaram soro para hidratá-lo", seguindo o "protocolo médico que indica que, se o paciente perde a consciência, seu médico tem o poder de decidir por ele quais medidas de urgência tomar para lhe salvar a vida".

"Ele permanece com internação domiciliar, pelo menos até novo aviso. Apelamos mais do que nunca à solidariedade do povo uruguaio e à solidariedade internacional. Seu estado de saúde piora drasticamente", afirma a mensagem do grupo que apoia Diyab.

O sírio se negou no sábado a receber atendimento médico oficial devido a uma discussão que teve com o hospital no qual foi internado, já que supostamente, segundo os ativistas, quiseram mantê-lo isolado, sem comunicação.

O vice-chanceler do Uruguai, José Luis Cancela, afirmou hoje que o ministro das Relações Exteriores, Rodolfo Nin Novoa, "está preocupado" com a situação do refugiado, e por isso está levando adiante negociaçoes para conseguir uma solução.

De acordo com Cancela, Nin Novoa, atualmente em Nova York, em preparação para a visita que o presidente Tabaré Vázquez fará à próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, está procurando no "mais alto nível diplomático" que outros países aceitem receber Diyab para satisfazer, na medida do possível, suas reivindicações.

"Infelizmente até o momento não tivemos nenhuma resposta positiva", explicou o vice-chanceler.

Na última sexta, Diyab afirmou à imprensa, por meio de um representante, que seu quadro de saúde era delicado, e culpou Uruguai e Estados Unidos por esta situação.

"Minha situação de saúde está muito precária, estou mal, minha energia está muito baixa, e responsabilizo pessoalmente o governo dos EUA e também o do Uruguai caso eu morra", afirmou o sírio.

Diyab deixou o Uruguai em junho, e no fim do mês seguinte se apresentou no consulado uruguaio em Caracas, onde pediu para ser transferido para um terceiro país para se reunir com sua família, mas na saída da sede diplomática foi detido por autoridades da Venezuela e deportado ao Uruguai semanas depois.

Junto com outros três sírios, um tunisiano e um palestino, Diyab foi recebido no Uruguai em dezembro de 2014 como parte do compromisso do então presidente do país, José Mujica, de colaborar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no plano de fechamento da penitenciária de Guantánamo.

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