Ministro alemão anuncia trégua de uma semana no leste da Ucrânia

Kiev, 14 set (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, anunciou nesta quarta-feira durante sua visita à Ucrânia um cessar-fogo de uma semana no leste do país a partir de meia-noite.

"Esta meia-noite entrará em vigor um cessar fogo e se prolongará durante uma semana. Espero que possamos passar de uma trégua frágil a outra mais estável", disse Steinmeier em entrevista coletiva em Kiev depois de se reunir com seu colega ucraniano, Pavel Klimkin.

Steinmeier antecipou que o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, confirmou hoje que o governo em Kiev respeitará o acordo de fim das hostilidades. Anteriormente, o chefe da diplomacia alemã tinha se dirigido ao Kremlin para que ameaçasse às autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk a declarar um cessar-fogo, o que foi feito unilateralmente na terça-feira.

"A situação melhorou desde 1 de setembro, mas não o suficiente. Nosso objetivo é continuar melhorando a segurança", destacou.

Steinmeier lamentou que o processo de paz tenha desacelerado desde fevereiro e que as contínuas reuniões em Moscou, Kiev e Minsk quase não tenham dado resultados. Ele comparou isso a "um caracol", que nos últimos meses anda ainda mais lentamente do que o habitual.

O ministro alemão aproveitará a trégua para visitar junto a seu colega francês, Jean-Marc Ayrault, as zonas da região de Donetsk sob o controle governamental. Steinmeier e Ayrault, que estarão acompanhados do ministro das Relações Exteriores ucraniano, visitarão as localidades de Kramatorsk e Sloviansk, palco de sangrentos combates durante a guerra entre o Exército e os milicianos pró-Rússia, em 2014.

Ayrault, por sua vez, ressaltou que França e Alemanha trabalham para retomar as negociações em nível de presidentes no formato de Normandia (Ucrânia, Rússia, Alemanha e França). Ele insistiu que a Ucrânia deve aprovar uma lei sobre a concessão de um status especial às zonas controladas por separatista e outra sobre a realização de eleições nesses territórios pró-Rússia, e declarar uma anistia para os envolvidos no conflito.

Sobre isso, Klimkin ressaltou que o leste da Ucrânia é, "praticamente, um protetorado dos militares e dos serviços secretos russos".

As negociações de paz estão estagnadas, entre outros aspectos, pela falta de acordo sobre as eleições nas zonas controladas pelos separatistas, já que o governo em Kiev exige garantias de segurança e a presença de observadores internacionais. Além disso, a Ucrânia reivindica o controle da fronteira entre as regiões de Donetsk e Lugansk e o território russo, enquanto Moscou pede a Kiev que aprove antes uma lei que outorgue altas doses de autonomia às zonas separatistas.

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