MPF denuncia Lula, Marisa e mais 6 por corrupção e lavagem de dinheiro

Curitiba, 14 set (EFE).- O Ministério Público Federal (ITF) apresentou nesta quarta-feira acusações por corrupção contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa, Marisa Leticia Lula da Silva, em uma investigação sobre a propriedade de um apartamento triplex no Guarujá, no litoral de São Paulo.

Esta é a primeira acusação formal contra Lula nas três causas em que é investigado por supostamente ter recebido benefícios de empresas que se favoreceram de uma gigantesca rede de corrupção na Petrobras.

A acusação se estende ao presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, informaram os procuradores responsáveis pelo caso em entrevista coletiva na cidade de Curitiba, onde estão centradas as investigações sobre o gigantesco escândalo de corrupção em Petrobras.

As acusações apresentadas contra Lula e sua esposa dentro do âmbito da Operação Lava Jato são corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro, segundo a acusação.

Também foram apresentadas acusações contra Léo Pinheiro e Paulo Gordilho, respectivamente o ex-presidente e um ex-executivo da construtora OAS, uma das empresas já condenadas por terem participado de esquemas de corrupção na Petrobras. Outros denunciados foram Agenor Franklin Magalhães Medeiros, ex-executivo da OAS, Fábio Hori Yonamine, ex-presidente da OAS Investimentos, e Roberto Moreira Ferreira, ligado à OAS.

De acordo com a acusação, a OAS gastou R$ 1,1 milhão em reformas e para mobiliar um triplex no Guarujá que seria para uso da família Lula, apesar de seu nome não aparece nos papéis da propriedade.

Os procuradores também acusaram a OAS de ter pagado R$ 1,3 milhão pelo aluguel de um depósito da empresa Granero no qual Lula guardou, entre 2011 e 2016, os presentes que recebeu quando era presidente.

De acordo com o MPF, somadas as despesas com o aluguel do depósito e as reformas do apartamento, Lula recebeu cerca de R$ 2,4 milhões em vantagens indevidas da OAS.

Os advogados de Lula alegam que o ex-presidente desistiu do negócio e pediu que o valor lhe fosse devolvido, por isso a propriedade do imóvel não pode ser atribuída a ele.

O apartamento, no entanto, foi submetido a reformas pagas pela OAS e mobiliado pela construtora segundo orientações feitas pela família Lula, de acordo com o MPF.

Além dos depoimentos de Pinheiro e Gordilho, os procuradores dizem ter como provas fotos que mostram Lula e sua esposa visitando o imóvel em companhia do engenheiro responsável pelas obras.

A acusação feita nesta quarta-feira será analisada agora pelo juiz federal Sergio Moro, responsável pela investigação da Lava Jato em primeira instância e que terá que decidir se aceita as acusações e abrirá julgamento dos acusados, que passariam à condição de réus.

O ex-mandatário também é investigado pela suposta propriedade de um sítio na cidade de Atibaia (SP), igualmente reformada por construtoras envolvidas em desvios na Petrobras, assim como por doações e recursos que recebeu por supostas palestras que concedeu no exterior e que foram encomendadas por empresas igualmente condenadas por esquemas envolvendo a estatal.

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