Sanders pede "clemência" para Snowden por revelar segredos dos EUA

Londres, 14 set (EFE).- O senador americano Bernie Sanders, que foi rival de Hillary Clinton nas primárias democratas, lidera uma série de artigos publicados nesta quarta-feira no jornal britânico "The Guardian" que pedem "clemência" para o ex-espião Edward Snowden, refugiado na Rússia após revelar segredos dos Estados Unidos.

Sanders está à frente de um grupo de figuras públicas favoráveis a que o governo americano garanta ao antigo agente de inteligência um tratamento que evite "uma longa condenação em prisão" ou um "exílio permanente".

Entre essas personalidades estão o linguista Noam Chomsky, a atriz Susan Sarandon, o ex-analista Daniel Ellsberg - que nos anos 70 revelou os chamados "Papéis do Pentágono" - e o secretário-geral da Anistia Internacional (AI), Salil Shetty.

"A informação revelada por Edward Snowden permitiu ao Congresso e aos cidadãos americanos compreender até que ponto a NSA (Agência de Segurança Nacional) abusou de sua autoridade e violou nossos direitos constitucionais", escreveu Sanders no jornal britânico.

"Em minha opinião, o interesse da Justiça estaria melhor servido se nosso governo lhe garantisse alguma forma de clemência", acrescentou.

Por sua parte, Sarandon, vencedora do Oscar de melhor atriz em 1995, declarou que Snowden "fez um grande serviço a seu país" ao vazar à imprensa em junho de 2013 detalhes sobre os serviços de inteligência que obteve quando trabalhava para a NSA e a CIA (agência de inteligência dos EUA).

Após revelar a informação secreta, o programador informático, de 33 anos, pediu asilo a 21 países enquanto estava na área de passagem do aeroporto de Sheremetievo, em Moscou, e finalmente recebeu proteção na própria Rússia.

"Trata-se de um homem que tinha um trabalho bem remunerado no Havaí, mas que arriscou tudo para poder revelar a todos nós o que a NSA estava fazendo em nome da segurança nacional", destacou Sarandon.

"Não acredito que uma pessoa como ele deva permanecer exilado de seu país", ressaltou a atriz, para quem o presidente Barack Obama "deveria fazer o correto: perdoar Ed e deixá-lo voltar pra casa com sua família e sua gente".

Entre outras revelações, os documentos de Snowden jogaram luz sobre um programa chamado Prism que permitia aos agentes dos serviços secretos americanos acessar dados de milhões de pessoas armazenados nos servidores de empresas como Google, Microsoft, Apple, Facebook e Skype.

"Snowden deveria, em minha opinião, ser recebido em casa com honras por seu serviço a seu país, assim como por sua coragem e sua integridade", argumentou Chomsky no "The Guardian".

"Os cidadãos americanos - e, sem dúvida, os de todo o mundo, em vista do extraordinário alcance das operações que foram reveladas - têm uma grande dívida com Snowden", frisou o filósofo do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT).

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