Vice-chanceler diz que Uruguai quer "salvar" Mercosul e "evitar paralisias"

Montevidéu, 14 set (EFE).- O vice-chanceler do Uruguai, José Luis Cancela, disse nesta quarta-feira que a abstenção de seu país na declaração divulgada pelos membros fundadores do Mercosul, que decidiram que a Venezuela não exercerá a presidência do bloco, tem como fim "salvar" o órgão e "evitar paralisias".

"Se o Uruguai não se abstivesse, o Mercosul teria entrado em uma paralisia", afirmou o diplomata em entrevista coletiva realizada em Montevidéu, depois de o país ter aprovado a declaração.

O vice-chanceler disse que a abstenção uruguaia está em consonância com a postura adotada pelo país desde a crise pela transferência da presidência do Mercosul. No entanto, Cancela afirmou que "nem foi nem é o critério do país suspender a Venezuela como membro pleno do bloco", uma "premissa defendida por alguns".

Cancela lembrou que a declaração divulgada hoje pelo Itamaraty pedia para a Venezuela se adequar às normas jurídicas do Mercosul, já que nos quatro anos que integrou o bloco não foi capaz de fazer as mudanças exigidas pelo tratado de adesão.

Sobre a extensão do prazo, o diplomata disse que "houve consenso em estendê-lo até o dia 1º de dezembro a pedido de Uruguai". "Se nesta data a Venezuela não tiver incorporado o conjunto da legislação do Mercosul, será suspensa dos direitos que correspondem como Estado-membro do bloco", explicou.

Além disso, Cancela disse que no próximo semestre não haverá "decisões, nem direções, nem resoluções no Mercosul porque essas normas só podem ser adotadas pelo Conselho do Merco Comum do Sul e ele não irá funcionar".

A presidência rotativa do Mercosul foi exercida pelo Uruguai no primeiro semestre. A Venezuela assumiria o posto respeitando a ordem alfabética que determina essa transferência de poder no bloco.

No entanto, Argentina, Brasil e Paraguai se opuseram, alegando que um país que vive uma crise democrática e que ainda não adotou todas as normas internas não pode ser o líder do bloco.

Mesmo assim, o Uruguai se negou a continuar exercendo a presidência do Mercosul além de junho, quando terminou seu mandato. A Venezuela, apesar da rejeição explícita de três dos membros da aliança, decidiu assumir o posto.

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