Diretor responsável pelo caso dos 43 desaparecidos no México deixa o cargo

México, 14 set (EFE).- A procuradora geral do México, Arely Gómez, aceitou nesta quarta-feira a renúncia de Tomás Zerón de Lucio do cargo de diretor da Agência de Investigação Criminal (AIC), cuja saída foi uma exigência das famílias dos 43 estudantes desaparecidos em 2014.

A Procuradoria Geral da República (PGR) indicou em um boletim que Arely "reconheceu os esforços de Zerón de Lucio no comando da AIC, que integra três áreas essenciais da instituição como são a Polícia Federal Ministerial, a Coordenação Geral de Serviços Periciais e o Centro Nacional de Planejamento, Análise e Informação para o Combate à Criminalidade".

Além disso, acrescentou o texto, a procuradora "lhe desejou sucesso em seus projetos pessoais e profissionais".

Os familiares dos 43 estudantes da escola para professores de Ayotzinapa, desaparecidos desde o dia 26 de setembro de 2014, exigiam a saída de Zerón, acusado de "ocultar a verdade" na investigação do caso.

No dia 18 de agosto, os pais anunciaram a ruptura do diálogo com o governo até que acontecesse a saída do diretor da AIC.

Com os avanços da investigação que a PGR já tem sobre uma diligência empreendida pelo funcionário que não está registrado no expediente do caso "há elementos suficientes como para retirá-lo de seu cargo", afirmou para a Agência Efe, o porta-voz dos familiares, Felipe de la Cruz.

"Para nós está claro que (Zerón) faz parte da ocultação da verdade, e enquanto ele estiver no comando desta dependência, não confiamos no trabalho da PGR", afirmou.

O Grupo Interdisciplinar de Peritos Independentes (IMCI) nomeados pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para auxiliar as investigações mostrou aos veículos de imprensa em abril, um vídeo sobre a diligência realizada no dia 28 de outubro de 2014 por Zerón, ao lado de um dos presos pelo caso no rio San Juan.

Foi lá, segundo a versão oficial, que membros do cartel Guerreros Unidos jogaram as cinzas dos jovens após assassiná-los e incinerar seus corpos em um depósito de lixo no município de Cocula, estado de Guerrero, no sul do México.

Também neste local, no dia 29 de outubro de 2014, segundo o registro oficial, mergulhadores da Marinha encontraram uma bolsa com ossos que permitiram identificar um dos 43 jovens.

Uma foto divulgada mostra que essa bolsa foi etiquetada com data do dia 28, algo que Zerón atribuiu então a um erro do perito responsável de marcá-la.

A presença de Zerón no local e o suposto erro de etiquetado geraram suspeitas que a bolsa tivesse sido colocada pelo funcionário para sustentar a versão oficial dos fatos, algo que os familiares não aceitam.

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