Oposição japonesa será liderada por uma mulher pela primeira vez

Tóquio, 15 set (EFE).- A parlamentar Renho Murata foi escolhida nesta quinta-feira líder do Partido Democrático (PD) do Japão, se tornando a primeira mulher a liderar a oposição em um país marcado por uma pouca presença feminina na política.

A ex-modelo e jornalista de 48 anos, que foi ministra de 2010 a 2012, venceu de maneira arrasadora (obteve praticamente 60% dos votos) a corrida pela liderança contra o ex-ministro de Relações Exteriores Seiji Maehara e o deputado Yuichiro Tamaki.

Sua escolha ocorreu depois que outras duas mulheres conseguiram assumir nos últimos meses postos de muito relevância na política japonesa: A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, e a ministra da Defesa, Tomomi Inada.

Renho chega à liderança do PD em um momento de grande fraqueza para esta formação de centro que conseguiu resultados muito decepcionantes em todas eleições realizadas após sua questionada gestão no governo de 2009 a 2012.

O principal desafio desta ex-apresentadora de televisão, membro da ala mais progressista de sua formação, é recuperar a credibilidade do PD para se transformar de novo em uma alternativa de governo contra o imbatível Partido Liberal-Democrata (PLD) do primeiro-ministro Shinzo Abe.

Parlamentar desde 2004, Renho é filha de um taiuanês e, apesar de ter nascido no Japão, não adquiriu nacionalidade até os 17 anos.

Este assunto foi uma das principais polêmicas antes de sua escolha já que teve que reconhecer, após ter negado a princípio, que mantém dupla nacionalidade, algo que não é recomendado pelas autoridades japonesas.

Sua escolha é vista como um grande passo no posicionamento da mulher no Japão, um país que sendo a terceira potência econômica do mundo conta, com taxas de participação feminina na política inferiores a estados como Botsuana, Libéria ou Gana.

Apenas 45 das 475 cadeiras da câmara Baixa japonesa estão ocupadas por mulheres, o que representa 9,5%, segundo um estudo publicado pela União Interparlamentar Internacional.

O Executivo japonês, no qual só há três ministras frente a 16 ministros, se comprometeu a conseguir para 2020 que as mulheres ocupem 30% de altos postos, embora o próprio primeiro-ministro tenha reconhecido que não alcançará esse objetivo.

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