Burkina Fasso detém ex-premiê por reprimir protestos contra ex-presidente

Ouagadogou, 16 set (EFE).- O ex-primeiro-ministro de Burkina Fasso, Luc Adolphe Tiao, foi detido nesta sexta-feira em Ouagadogou, a capital do país, e indiciado por assassinato pela repressão do levantamento popular que em outubro de 2014 derrubou o então presidente, Blaise Compaoré, informou o Ministério da Justiça do país africano.

Tiao foi indiciado por vários crimes, entre eles "ferir de forma premeditada e assassinar" manifestantes que protestavam contra o ex-presidente, e se encontra em prisão preventiva após comparecer à Corte Suprema.

Jornalista de formação e ex-embaixador de Burkina Fasso na França, Tiao era o primeiro-ministro durante a insurreição que resultou na morte de 30 pessoas e supostamente foi o encarregado de assinar a ordem que autorizou o exército a utilizar munição real para restaurar a ordem no país.

O ex-primeiro-ministro estava exilado na Costa do Marfim junto com o próprio Compaoré e outros integrantes de seu gabinete, mas retornou a Burkina Fasso para se entregar às autoridades e se defender das acusações.

Burkina Fasso iniciou seu processo democrático em outubro de 2014, quando um levantamento popular forçou a renúncia do presidente Compaoré, após quase três décadas no poder, e que concluiu em novembro de 2015, com a realização de eleições presidenciais.

Compaoré tinha tentado se perpetuar no cargo modificando a Constituição, que limita a dois o número de mandatos presidenciais consecutivos.

A manobra do ex-presidente desencadeou uma violenta insurreição popular que o forçou ao exílio e levou à criação de um governo de transição, que passou por uma tentativa de golpe militar de uma facção do Exército em setembro de 2015, o que fez com que as eleições inicialmente previstas para outubro fossem atrasadas.

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