Rússia adverte sobre momento "extremamente crucial" na Síria

Nações Unidas, 17 set (EFE).- A Rússia afirmou neste sábado na ONU que o ataque aéreo dos Estados Unidos na Síria leva a situação nesse país a "um momento extremamente crucial" e acha "estranho" que se tenha tratado de um erro, como assegurou Washington.

Assim afirmou o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, em declarações aos jornalistas, enquanto dentro do Conselho de Segurança (CS) acontecia uma reunião de urgência por causa deste tema, convocada pelo governo de Moscou.

Antes, também para os jornalistas e antes de entrar nessa reunião, a embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, qualificou a reunião do CS como uma "artimanha" e uma "distração do que está acontecendo na Síria.

Os diplomatas dos países-membros do CS costumam fazer declarações antes ou depois de cada reunião, mas hoje tanto Power como Churkin falaram enquanto aconteciam as deliberações a portas fechadas.

Justamente quando começava a reunião, Power se apresentou aos jornalistas para explicar que Washington estava investigando o ataque aéreo contra posições do Exército sírio na cidade de Deir ez Zor, no qual, segundo Moscou, 62 militares sírios morreram.

Washington já lamentou a perda "não intencional" de vidas por causa deste ataque, e explicou que possivelmente se trate de um erro, ao crer que o bombardeio atacava um grupo do Estado Islâmico (EI).

Power acusou o governo de Moscou de agir de uma forma "hipócrita e cínica", ao convocar uma reunião urgente do CS para este tema na noite do sábado, e não em muitas ocasiões anteriores.

Não o fez, segundo a embaixadora americana, quando o regime sírio, aliado de Moscou, foi acusado de erros contra os civis em seus ataques ou pelo uso de armas químicas, e quando os hospitais desse país sofreram bombardeios.

Churkin, que estava nesse momento dentro da reunião, saiu da sala do Conselho para responder a Power, e refletiu o perigo que o ataque das últimas horas colocava em risco a trégua acertada entre EUA e Rússia no dia 9 de setembro.

Essa trégua começou em 12 de setembro e devia terminar sete dias depois.

Segundo Churkin, com esta ação militar, os EUA violaram dois compromissos: observar o cessar-fogo estipulado e respeitar as posições das Forças Armadas sírias.

"Este não é um bom momento. É um momento extremamente crucial", insistiu Churkin, falando, além disso, sobre a possibilidade de que o ataque possa se trata de uma "provocação", sem dar mais detalhes, e deu a entender que é "estranho fazer a crer que foi um erro".

"A grande questão é saber quem está comanda em Washington, se a Casa Branca ou o Pentágono (...) os Estados Unidos conseguiram fazer com que o gênio saia da garrafa", acrescentou Churkin, que representa a Rússia na ONU há uma década.

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