Síria diz que objetivo de bombardeio dos EUA é fazer a trégua fracassar

Isla Margarita (Venezuela), 18 set (EFE).- O embaixador sírio perante a Organização das Nações Unidas (ONU), Bashar Jaafari, afirmou neste domingo que o objetivo do ataque de ontem contra forças do Exército sírio feito pelos Estados Unidos, que atribuiu a ação a um erro técnico, é o de "fazer fracassar" a trégua estipulada entre os governos em Washington e Moscou no último dia 9.

Em declarações aos jornalistas durante a Cúpula do Movimento de Países Não-Alinhados (MNOAL) na Isla Margarita, na Venezuela, ele garantiu que os Estados Unidos "estão dando cobertura para que os terroristas ocupem novas posições na Síria" em referência aos integrantes do Estado Islâmico e da Frente al Nusra.

"Os americanos não querem que o cessar-fogo seja bem-sucedido, por isso, após o bombardeio de ontem contra a gente, os terroristas do Daesh entraram no lugar e ocuparam a praça que o Exército sírio ocupava", afirmou.

O chefe da diplomacia síria perante a ONU, máximo representante do país do Oriente Médio na cúpula, ressaltou que a "agressão contra a Síria não pode ficar tão fácil assim" e deve ser abordada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas "imediatamente" para "evitar a extensão do conflito na região e pôr fim à mentira e a hipocrisia dos americanos".

Jaafari acusou os Estados Unidos de pretender fazer com seu país "o mesmo que fez com o Iraque: destrui-lo utilizando a mentira" e criticou que o representante americano na ONU reconheceu o bombardeio, mas o qualificou de "erro técnico".

"Na opinião deles, matar 83 soldados sírios, ferir mais de 100 e destruir um posto militar sírio é um simples erro técnico e não merece reunião do Conselho de Segurança sobre o tema?", questionou.

Ele afirmou que o resultado do encontro de ontem do Conselho "é zero" porque Estados Unidos, Reino Unido e França - todos membros permanentes do Conselho da ONU - "disseram que o que aconteceu não merece medidas a respeito". Jaafari disse que a questão "não ficará aqui" e afirmou que "os amigos da Síria no Conselho de Segurança, como China e Rússia, não vão deixá-la neste ponto".

Com relação aos quatro ataques registrados hoje em Aleppo, o embaixador disse que "desde o princípio" não houve trégua nessa cidade e afirmou que o Exército sírio se retirou da estrada que leva ao município "para facilitar a entrega de ajuda humanitária".

"Depois dessa retirada, imediatamente entraram terroristas para ocupar os postos que o Exército sírio tinha", afirmou.

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