Casa síria é reproduzida em Buenos Aires para gerar empatia por refugiados

Buenos Aires, 19 set (EFE).- A réplica de uma casa síria da qual se pode ver a devastação gerada pela guerra chegou nesta segunda-feira a uma das estações mais transitadas do metrô de Buenos Aires, graças à Anistia Internacional (AI), que procura gerar empatia pelos milhões de deslocados por conflitos bélicos em todo o mundo.

"A ideia é que as pessoas, através desta experiência, gerem empatia pelos refugiados, que se solidarizem e que, eventualmente, exijam dos Estados uma solução para esta grave crise humanitária", disse à Agência Efe a diretora de Justiça Internacional da AI na Argentina, Leah Tandeter.

Em um espaço de quatro metros de comprimento e 2,5 de largura situado na estação de metrô do emblemático Obelisco, a associação humanitária instalou um simulador de uma humilde casa de uma cidade síria, idêntica à de Sham, uma menina que teve que fugir do país árabe com sua família e que agora permanece retida em um terminal do principal porto de Atenas.

Quando um dos milhares de cidadãos de Buenos Aires que passam pela frente do curioso lugar a cada dia decide entrar e se aproximar de sua falsa janela, um sensor de movimento ativa "a realidade" enfrentada pelos sírios desde que começou a guerra em 2011: explosões, desabamentos e, sobretudo, "destruição".

O vídeo que pode ser visto no simulador, que permanecerá na estação até 27 de setembro, "é só uma amostra da destruição de edifícios, mas o impacto maior foi na vida das pessoas, na quantidade de refugiados e deslocados internos que este conflito gerou", afirmou Tandeter.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), em março de 2016 havia 4,8 milhões de refugiados sírios nos países vizinhos, dos quais cerca de 35% estava em idade escolar.

A advogada de direitos humanos lembrou que a Síria é um país em "guerra permanente" há cinco anos "onde mais de 50% da população se viu obrigada a movimentar-se, a deixar seus lares" enquanto aqueles que ficaram "em geral não saem de suas casas" e vivem em resguardos permanentes, em porões, esperando que "não caia uma bomba sobre sua cabeça".

Entre as centenas de pessoas que passaram esta manhã pelo simulador estava Iyas Asaad, um jovem de 27 anos procedente de Damasco que chegou à Argentina em 2012.

"Nós os sírios somos pessoas que gostamos de trabalhar, que gostamos de aproveitar nossa vida. Não gostamos de destruir e, por isso, deixamos a guerra da Síria", declarou Iyas à Efe.

Quanto à declaração de compromisso da comunidade internacional com estas pessoas, adotada nesta segunda-feira na reunião de Alto Nível sobre Refugiados e Migrantes realizada em Nova York, Tandeter considerou que é "bastante pobre" e não fixa responsabilidades nem compromissos concretos.

Por outro lado, a advogada celebrou que o governo argentino tenha se comprometido a receber 3.000 solicitantes de asilo, mas insistiu que é necessário implementar um "programa de reassentamento" financiado pelo Estado para que este se responsabilize por conseguir a integração local dos refugiados que chegam ao país e não os setores privados, como ocorre atualmente.

Segundo o último relatório do Acnur, em 2015 havia 65,3 milhões de refugiados, deslocados internos e solicitantes de asilo no mundo todo.

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