Protestos contra presidente da RDC deixam pelo menos 3 mortos

Kinshasa, 19 set (EFE).- Pelo menos três pessoas, dois civis e um policial, morreram nesta segunda-feira em Kinshasa em protestos convocados pela coalizão opositora Rassemblement contra o atraso das eleições presidenciais na República Democrática do Congo (RDC).

Desde o início da manhã, milhares de pessoas se reúnem na região de Limete, um dos redutos da oposição na capital do país, para pedir a renúncia do presidente, Joseph Kabila, e a realização de eleições em dezembro. Após intensos enfrentamentos entre manifestantes e policiais, que atiraram para o alto "para dispersar os arruaceiros", foram achados os corpos de dois civis e um policial. Os protestos continuam em Limete no meio de um grande desdobramento policial e um clima de forte tensão, por isso que não são descartados novos enfrentamentos violentos.

A oposição acusa Kabila, de 45 anos, de adiar as eleições para prolongar seu mandato, já que, segundo a Constituição, ele não pode tentar uma reeleição.

Esta semana é fundamental para o futuro de Kabila, pois a governante Aliança pela Maioria Presidencial (AMP) e vários partidos opositores menores estão na fase final de um processo de diálogo apoiado pela União Africana (UA) para chegar a um acordo sobre o pleito.

A principal coalizão opositora, liderada pelo histórico político Étienne Tshisekedi, qualificou o diálogo de fraudulento e acusa os mediadores de favorecer a Kabila para que ele possa prolongar seu mandato.

Esta semana também encerra o prazo legal para a convocação das eleições, previstas para 19 de dezembro, já que o anúncio deve ser feito com 90 dias de antecedência. No entanto, no mês passado, a Comissão Eleitoral Nacional (CENI) anunciou que não terminaria o censo eleitoral até julho de 2017, decisão que agora procura respaldar a decisão do Tribunal Constitucional, que poderia se pronunciar ainda hoje. Caso seja mantido o calendário fixado pela CENI, as eleições só aconteceriam na segunda metade de 2017.

O principal ponto de desacordo entre a AMP e os poucos partidos opositores dispostos a dialogar é o calendário eleitoral, que o governo se nega a aprovar até que acabe o censo, enquanto a oposição pede datas concretas para dar seu apoio ao processo de diálogo. Outro ponto de atrito é o futuro do próprio Kabila, que governa desde 2001 e foi acusado de atrasar as eleições com o único objetivo de permanecer no poder.

Vários partidos opositores e organizações da sociedade civil propuseram que, caso o atraso das eleições seja confirmado, um presidente interino, que não seja Kabila, se ponha à frente de um governo de união nacional.

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