Ban pede desculpas por cólera no Haiti e abusos cometidos por boinas azuis

Nações Unidas, 20 set (EFE).- O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, se desculpou nesta terça-feira em nome de sua organização pelo papel que esta teve no surto de cólera no Haiti e pelos reiterados casos de abusos sexuais cometidos por "boinas azuis" em diferentes países.

Ban, que deixará o cargo no final do ano, quis aproveitar seu último discurso diante dos líderes mundiais para expressar "suas desculpas por dois assuntos que mancharam a reputação das Nações Unidas e, muito pior, traumatizaram muita gente".

"Os atos desprezíveis de exploração e abuso sexual cometido por um grupo de boinas azuis da ONU e outros profissionais agravaram o sofrimento de pessoas já afetadas por conflitos armados e minaram o trabalho feito por tantos outros ao redor do mundo. Protetores jamais deve se tornar predadores", disse ele, que pediu aos Estados-membros e à própria ONU um reforço na política de "tolerância zero" com estes crimes.

Nos últimos anos, dezenas de "boinas azuis" foram acusados de cometer abusos sexuais, algumas vezes com menores de idade, e um grande número deles ocorreram na República Centro-Africana.

Já sobre o caso do Haiti, Ban disse que sente "tremendo pesar e tristeza pelo profundo sofrimento dos haitianos afetados pela cólera". Este ano, a ONU admitiu que teve influência no início da epidemia, que desde 2010 matou milhares pessoas e afetou outras tantas, e prometeu um novo pacote de medidas para apoiar os afetados.

"Chegou o momento de um novo enfoque para aliviar essa situação e melhorar suas vidas. Esta é nossa firme e perdurável responsabilidade moral. Vamos trabalhar juntos para atender nossas obrigações para com o povo haitiano", disse o secretário-geral.

Ban adiantou que voltará à Assembleia geral antes do fim do seu mandato para propor o novo plano de apoio ao Haiti e pediu aos governos apoio financeiro.

Vários estudos técnicos apontaram que o surto de cólera que ainda afeta o Haiti começou em 2010 por um vazamento de resíduos fecais em um rio de soldados nepaleses da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah). Desde então, grupos de vítimas tentaram sem sucesso conseguir perante os tribunais compensações por parte da ONU, que durante anos negou sua responsabilidade.

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