Mais de 1,6 mil mulheres morreram em um ano por agressão de homens nos EUA

Miami, 20 set (EFE).- Mais de 1,6 mil mulheres foram assassinadas por homens nos Estados Unidos em um ano e em 93% dos casos as vítimas conheciam seus agressores, segundo um estudo publicado nesta terça-feira pelo Centro de Políticas sobre Violência (VPC), uma ONG que advoga pelo controle de armas.

Para o estudo "Quando os homens matam as mulheres: uma análise dos dados de homicídios de 2014", o VPC se baseou nas estatísticas do FBI sobre casos de assassinato com uma só vítima, mulher, e um só assassino, homem.

Em 2014, último ano completo do qual há dados, 1.613 mulheres perderam a vida vítimas de um homem, um número 31% inferior ao registrado em 1996, o ano no qual o VPC realizou pela primeira vez este estudo anual.

Em 1996, a taxa de mulheres assassinadas por homens nos EUA era de 1,57 por cada 100 mil, enquanto em 2014 foi de 1,08 por cada 100 mil.

O estudo destaca a importância da Lei de Violência contra a Mulher nesta queda, aprovada há 22 anos, e das restrições para possuir armas de fogo regidas em alguns estados para pessoas com antecedentes por violência doméstica.

Os estados que mais notoriamente se situaram em 2014 acima da média de assassinatos por violência de gênero nos EUA são Alasca (3,15 assassinadas por homens por cada 100 mil mulheres), Louisiana (2,15), Nevada (1,98) e Oklahoma (1,94), de acordo com o estudo.

A taxa é maior entre as mulheres negras do que entre as de qualquer outro grupo étnico, com 2,19 assassinatos por cada 100 mil, frente a 0,97 por 100 mil das mulheres brancas.

Outro dado é do estudo mostra que 86% dos crimes nos quais foi determinado o grupo étnico da vítima e do agressor eram inter-raciais, ou seja que as duas partes pertenciam a grupos diferentes.

Uma parte importante do estudo está dedicada à grande proporção de casos (93% em 2014) nos quais o assassino era conhecido por sua vítima.

Tão conhecido que em 63% destes casos quem matou a mulher foi seu marido ou companheiro ou tinha sido no passado, diz o VPC.

Os dados mostram que 54% dos assassinos usaram armas de fogo, 21% atacaram com facas ou outras armas cortantes, 12% fizeram uso da força física e 6% usaram um objeto pesado.

"As armas de fogo em mãos de abusadores podem fazer com que a violência doméstica acabe em homicídio em uma piscada de olhos. Não haver armas em uma situação de violência doméstica é crucial", afirma o diretor legal do VPC, Kristen Rand.

Julia Wyman, diretora-executiva de um grupo dedicado a prevenir a violência de armas de fogo em nível dos estados, acrescentou que por mais que o grupo de pressão do armamento diga que as armas brindam segurança pessoal, "os fatos falam por si mesmos".

"Em um lar palco de violência doméstica as armas não significam segurança", afirma.

O estudo pede aos legisladores dos estados que adotem leis de acordo com a legislação federal nesta matéria para assegurar que os agressores de mulheres não possam estar em posse de armas.

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