Resgate levou 8 horas para chegar à zona atingida por bombardeios

Beirute, 20 set (EFE).- As equipes de resgate precisaram de oito horas para chegar à região onde o comboio humanitário do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) foi atacado no oeste da província de Aleppo, na Síria, por conta da intensidade dos bombardeios, disse nesta terça-feira à Agência Efe o chefe da Defesa Civil nesta região, Ammar Salmo.

Ele, que ontem à noite foi a Urum al-Kubra, onde aconteceu o ataque, explicou por telefone que o bombardeio ocorreu por volta das 19h10 (horário local, 13h10 em Brasília).

"Escutamos um helicóptero lançado barris contra região, mas depois foi embora. Pouco depois, quatro helicópteros atacaram o comboio do Crescente Vermelho, que tinha 31 caminhões, e um de seus armazéns", afirmou.

O escritório do FICV em Aleppo informou à Defesa Civil de Aleppo sobre o ataque e a equipe de resgate tentou chegar o mais rápido possível a Urum al-Kubra, mas a agilidade se tornou impossível de ser praticada por conta dos intensos bombardeios.

"Fomos para lá (Urum al-Kubra), mas um avião russo efetuou dois ataques e outro abriu fogo com metralhadoras", detalhou.

No final, as equipes da Defesa Civil, composta por voluntários que prestam serviços de resgate nas áreas fora do controle do governo sírio, chegaram a Urum al-Kubra às 3h (horário local, 20h em Brasília) e o cenário era de devastação total.

"Estava tudo destruído, o armazém do Crescente Vermelho completamente destroçado, seus caminhões queimados e toda a equipe morta", relatou Ammar Salmo, que destacou que, segundo os seus números, foram 12 mortos e 15 feridos.

Entre as vítimas havia voluntários, motoristas e funcionários do Crescente Vermelho, como Omar Barakat, o diretor da organização em Urum al-Kubra.

Testemunha direta das consequências do bombardeio, Ammar Salmo afirmou que acredita que a ação foi "premeditada".

"Foram mais de 20 bombardeios durante horas nessa região", indicou.

O chefe da Defesa Civil acrescentou que Urum al-Kubra é "uma área pequena" com alta densidade populacional, porque nela residem mais de mil deslocados procedentes de outras partes do norte e do sul de Aleppo, e de outras províncias sírias.

"Antigamente, era uma zona industrial, e agora os deslocados moram nas fábricas que existiam", explicou ele, que ressaltou que Urum al-Kubra é uma área "estratégica", já que por ela passa a estrada que que liga as zonas norte e oeste de Aleppo.

Hoje, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, denunciou o "repugnante, selvagem e aparentemente deliberado" ataque contra o comboio humanitário.

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho confirmou mais cedo a morte de 21 pessoas, 20 civis e um funcionário humanitário.

Tanto a Rússia quanto a Síria garantiram que nenhum de seu Exércitos têm envolvimento neste bombardeio.

Atualmente, aviões desses dois Estados operam no território sírio, assim como os da coalizão internacional contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI), liderada pelos Estados Unidos.

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