Rússia publica vídeo no qual jihadistas acompanham comboio da ONU

Moscou, 20 set (EFE).- A Rússia publicou nesta terça-feira um vídeo no qual se vê um veículo equipado com um morteiro de grande calibre acompanhar o comboio da ONU que ontem foi alvo de um ataque na cidade síria de Aleppo.

"No vídeo se vê com clareza como os terroristas posicionaram junto à coluna uma caminhonete com um morteiro de grande calibre", afirmou Igor Konashenkov, porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, em comunicado.

Ao mesmo tempo, o general admite que "não está claro quem acompanha quem: o morteiro acompanha a coluna com os voluntários de 'capacetes brancos' ou é totalmente o contrário? ".

"E o mais importante: Onde foi parar o morteiro (quando estava) perto do ponto de destino do comboio e contra quem disparou durante a parada e descarga (da ajuda humanitária)?", acrescentou o militar sobre as imagens gravadas na véspera por um drone russo.

Previamente, o general assegurou que nem a aviação russa nem a síria atacaram este comboio, algo pelo que um representante do governo dos Estados Unidos responsabilizou diretamente o exército da Rússia.

Konashenkov ressaltou que, ao analisar com cuidado as imagens do comboio destruído, os analistas russos "não encontraram nenhum indício do impacto de nenhum tipo de projétil sobre a coluna de veículos" da ONU.

"Não há sinais de cratera nem os automóveis têm danos no chassi como resultado da onda explosiva", afirmou o general russo, em alusão ao fato de que o comboio não sofreu nenhum ataque aéreo.

O que se vê nas imagens, apontou Konashenkov, "é consequência direta do incêndio da carga, que misteriosamente começou de forma simultânea com a ofensiva das milícias (opositoras) sobre Aleppo".

O porta-voz russo garantiu que drones russos escoltaram o comboio até seu destino e depois se retiraram por tratar-se de uma área controlada pela oposição.

Por sua vez, a chancelaria denunciou as tentativas de acobertar, com estas acusações contra a Rússia, a morte no final de semana de 90 soldados sírios em um bombardeio supostamente realizado pela coalizão liderada pelos EUA.

Um funcionário americano responsabilizou hoje a Rússia pelo ataque contra o comboio de ajuda humanitária e assegurou que os EUA "repensarão" se continuarão cooperando com o governo russo, que, segundo sua opinião, deve demonstrar "rápida e significativamente" se ainda está comprometido com o acordo para um cessar-fogo no país árabe.

"Não sabemos por enquanto se o ataque foi dos russos ou do regime (de Bashar al Assad). Em qualquer caso, os russos têm a responsabilidade de não fazer esse tipo de ataques e de evitar que o regime os faça", disse à imprensa esse alto funcionário americano.

Por sua vez, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, qualificou hoje o ataque de "repugnante, selvagem e aparentemente deliberado".

No incidente morreram 20 civis e pelo menos um funcionário do Crescente Vermelho, segundo confirmou hoje o Movimento Internacional da Cruz Vermelha.

O ataque, que levou a ONU a suspender no terreno a entrega de ajuda humanitária na Síria, ocorreu no mesmo dia em que o governo sírio deu por terminada uma trégua de sete dias que tinha sido negociada por EUA e Rússia.

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