Temer diz em discurso na ONU que impeachment respeitou a Constituição

Nações Unidas, 20 set (EFE).- O presidente do Brasil, Michel Temer, expressou nesta terça-feira perante a ONU o "compromisso inquebrantável com a democracia" em seu país após o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Temer estreou nesta terça-feira no debate de alto nível da Assembleia Geral da ONU, no primeiro discurso de um chefe de Estado, cumprindo com uma tradição que se mantém desde 1955, com o Brasil iniciando as exposições nesse órgão da ONU.

"O Brasil acaba de atravessar um processo longo e complexo, regrado e conduzido pelo Congresso Nacional e pela Suprema Corte brasileira, que culminou em um impedimento. Tudo transcorreu dentro do mais absoluto respeito à ordem constitucional", recalcou Temer.

"Este exemplo que demos ao mundo -insistiu-, demonstra claramente que não pode haver democracia sem estado de direito. Ou seja, que as normas são aplicadas a todos, inclusive aos mais poderosos".

O processo que conduziu ao impeachment de Dilma, acrescentou Temer, está sendo feito em meio a uma "depuração do sistema político".

"Contamos com um judiciário independente, uma Procuradoria ativa e também órgãos executivos e legislativos que cumprem com suas funcões", insistiu Temer.

"Portanto -acrescentou-, a vontade dos indivíduos não é o que prevalece, mas a força das instituições sob a vigilância de uma sociedade plural e de uma imprensa livre".

Temer acrescentou que a tarefa do governo agora é de retomar o crescimento econômico para garantir que os trabalhadores "recuperem os milhões de empregos perdidos", perante uma "responsabilidade fiscal e social".

Em sua mensagem, e ao se referir a temas internacionais, Temer insistiu na necessidade de aplicar reformas no Conselho de Segurança, dominado agora por cinco potências mundiais (Estados Unidos, Rússia, China, França e o Reino Unido).

"Seguiremos trabalhando para superar o ponto morto que há sobre esta questão", acrescentou Temer ao se referir a gestões que, entre outras ideias, propõem limitar o direito de veto dessas cinco potências ou ampliar o número de integrantes do conselho.

Com relação ao conflito da Síria, Temer disse que "continua sendo uma fonte enorme de sofrimento", na qual "as mulheres e as crianças são suas principais vítimas".

"Pedimos às partes que respeitem os acordos respaldados pelo Conselho de Segurança", afirmou Temer, que pediu entre eles que seja permitido o acesso da assistência humanitária à população civil.

Temer também mencionou o "perigo" que representam os últimos testes nucleares e com mísseis da Coreia do Norte, o que lembra a necessidade de acabar com a proliferação nuclear.

Entre os temas que mencionou figura o recente acordo na Colômbia para acabar com o conflito armado das Farc, felicitando o presidente Juan Manuel Santos.

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