Trump usou fundos de beneficência para assuntos pessoais, afirma jornal

Washington, 20 set (EFE).- O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou mais de US$ 250 mil de sua fundação de beneficência para pagar processos contra ele vinculados a ações com fins lucrativas, informou nesta terça-feira o jornal "The Washington Post".

Segundo o jornal, que publica documentos que apoiam essa informação, Trump repassou US$ 258 mil destinados a atividades caridosas para enfrentar casos legais, o que, de acordo com o "Post", "pode ter violado as leis" que proíbem os diretores de usarem dinheiro para beneficência para benefício próprio ou de seus negócios.

Em um dos casos, o Club Mar-a-Lago, propriedade do multimilionário, teve que pagar em 2007 uma multa de US$ 120 mil à cidade de Palm Beach (Flórida) como resultado de uma disputa sobre o tamanho de uma haste de bandeira.

Para encerrar o caso, o governo da cidade decidiu deixar essas multas sem efeito se o clube de Trump doasse US$ 100 mil a uma organização beneficente específica para veteranos de guerra.

Ao invés disso, Trump enviou um cheque da Fundação Donald J. Trump, uma organização beneficente financiada quase em sua totalidade pelo dinheiro de outras pessoas, segundo os registros fiscais.

Em outro caso, um dos campos de golfe de Trump em Nova York resolveu um processo fazendo uma doação à caridade escolhida pelo litigante. Concretamente, se tratou de uma quantia de US$ 158 mil em nome da Fundação Trump, de acordo com os mesmos registros.

Segundo o jornal, as outras despesas envolveram quantias menores, como em 2013, quando o magnata utilizou US$ 5 mil da fundação para comprar anúncios que promoveram sua rede de hotéis em três eventos organizados por um grupo de preservação ambiental.

Em 2014, Trump gastou outros US$ 10 mil do dinheiro da fundação para comprar um retrato de si mesmo em uma arrecadação de fundos.

Se a agência fiscal americana constatar que Trump violou alguma regra nessas transações, o republicano pode ser obrigado a pagar impostos de penalização ou reembolsar todo o dinheiro que gastou em seu nome.

Além disso, o candidato também enfrenta o escrutínio do escritório do procurador-geral de Nova York, que está examinando se a fundação de caridade quebrou as leis estaduais.

"É evidente que a Fundação Trump tem tanto de organização de caridade quanto a Universidade Trump é uma instituição de educação superior. A versão de Trump sobre a caridade está tirando dinheiro de outras pessoas para resolver seus próprios problemas legais", disse após saber da notícia a subdiretora de Comunicações da campanha de Hillary Clinton, Christina Reynolds.

"Mais uma vez, Trump demonstrou ser uma fraude que acredita que as regras não se aplicam a ele. Já é hora que mostre suas declarações de impostos para demonstrar se seus assuntos fiscais se estendem a suas próprias finanças pessoais", acrescentou Reynolds, em referência à recusa do magnata de torná-las públicas.

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