Uruguai "não está negociando" com ex-preso de Guantánamo, diz mediador

Montevidéu, 20 set (EFE).- O governo do Uruguai "não está negociando" com Jihad Diyab, o ex-detento da penitenciária de Guantánamo (Cuba) refugiado no Uruguai, disse nesta terça-feira o mediador entre as autoridades uruguaias e o sírio, Christian Mirza, em relação à posição do árabe, para a qual propuseram uma solução.

"O governo não está negociando com Jihad. O governo segue fazendo há vários dias gestões para conseguir um lugar para onde ele possa ir para se reunir com sua família, mas não está negociando nada", disse Mirza à imprensa.

Diyab realiza uma greve de fome há cerca de um mês e, durante aproximadamente duas semanas, não ingeriu líquidos, para exigir que fosse reunido com sua família em um país diferente do Uruguai, preferencialmente árabe ou de credo muçulmano.

Seguindo o pedido de ativistas e pessoas próximas, Diyab retomou ontem a ingestão de líquidos para "dar tempo" ao governo em suas negociações, já que corria risco "iminente" de morrer, informaram fontes ligadas ao sírio.

Na última sexta-feira, através de um vídeo divulgado por pessoas próximas, Diyab fez um ultimato ao governo uruguaio, ao qual responsabiliza junto aos Estados Unidos por sua situação atual, para que lhe propusesse uma solução e deu o domingo como prazo.

Mirza ressaltou que, durante os diferentes encontros com o sírio, manifestou a ele o interesse do governo do Uruguai de buscar uma solução, mas que o mesmo "não aceita" ultimatos.

"Eu já disse a ele que o governo uruguaio não aceita ultimatos e o dia 26 não é para o governo uma data limite. No dia 26, volto a me reunir com ele com a finalidade de seguir conversando e avançando para uma possível solução", disse o mediador.

Além disso, Mirza informou que se encontra à espera da chegada ao país do chanceler Rodolfo Nin Novoa para continuar com o desenvolvimento das conversas sobre a situação do sírio.

"Espero que antes de 15 de outubro isto esteja resolvido definitivamente", afirmou Mirza.

Diyab deixou o Uruguai em meados de junho e se apresentou em julho no consulado uruguaio em Caracas, onde pediu apoio para concluir suas reivindicações, mas, na saída da sede diplomática, foi detido pelas autoridades venezuelanas e deportado ao Uruguai.

Junto a outros três sírios, um tunisiano e um palestino, Diyab foi acolhido no Uruguai em dezembro de 2014 como parte do compromisso do então presidente José Mujica de colaborar com seu colega americano Barack Obama no plano de fechamento da penitenciária de Guantánamo.

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