EUA exigem que aviões do regime da Síria parem de sobrevoar áreas da oposição

Nações Unidas, 21 set (EFE).- O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, exigiu nesta quarta-feira que aviões do governo da Síria parem de sobrevoar zonas estratégicas controladas pela oposição, como objetivo de restabelecer o cessar-fogo no país.

"Acredito que para restaurar a credibilidade no processo, devemos avançar para imediatamente deixar em terra todos os aviões que sobrevoam essas áreas-chave", disse Kerry, que ressaltou que a medida ajudaria diminuir as tensões e facilitaria o fornecimento de ajuda humanitária nas áreas afetadas pelo conflito.

Em um duro discurso no Conselho de Segurança da ONU, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos exigiu, além disso, que Rússia e Síria "deixem de ignorar os fatos" e reconheçam suas responsabilidades no ataque da última segunda-feira contra um comboio humanitário.

Para Kerry, o ataque representou um "golpe muito duro" nos esforços de paz na Síria e coloca "profundas dúvidas" se a Rússia e o regime do presidente Bashar al Assad cumprirão as obrigações que aceitaram nas últimas negociações realizadas em Genebra.

"Não vamos a lugar algum ignorando os fatos. É preciso uma aceitação da responsabilidade para mudar a equação, restaurar a credibilidade do processo de cessar-fogo e negociações que a comunidade internacional tenta impulsionar", afirmou Kerry.

Por esse motivo, disse o secretário de Estado, os EUA reconheceram imediatamente seu "erro" quando bombardearam tropas sírias no último fim de semana. Além disso, comparou distintas versões que a Rússia forneceu sobre o incidente com o comboio.

O discurso de Kerry foi antecedido por um pronunciamento do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que pediu que os envolvidos não se deixem levar por "reações emocionais" e exigiu uma "investigação imparcial" do ocorrido com o comboio humanitário do Crescente Vermelho na Síria.

Kerry disse que, ouvindo o chanceler russo, parece que Moscou está em um "universo paralelo" e apontou que há dados e depoimentos que mostram que o ataque partiu de um avião em uma região na qual apenas sobrevoam aeronaves russas e do regime sírio.

Para os EUA, ressaltou Kerry, ainda existem esperanças de retomar o cessar-fogo e convocar negociações de paz. No entanto, os EUA consideram que elas não poderão ocorrer enquanto os aviões de Al Assad sigam bombardeando regiões habitadas por civis.

Além disso, Kerry reiterou aos demais países que nenhum apoio pode ser dado àqueles que tratam de "sabotar" a cessação de hostilidades. Entre esses grupos, o secretário de Estado incluiu o governo sírio e organizações terroristas como o Estado Islâmico e a Frente al Nursa, que se desvinculou da Al Qaeda recentemente.

"O futuro da Síria está por um fio e peço a este Conselho que não se renda, que apoie os passos estipulados pelos EUA e pela Rússia em Genebra", afirmou Kerry.

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