Farc se preparam para ratificar acordo de paz com governo colombiano

Gonzalo Domínguez Loeda.

El Diamante (Colômbia), 22 set (EFE).- As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) trabalham nesta quinta-feira nas conclusões secundárias de sua Décima Conferência Nacional e se preparam para o dia histórico que se viverá amanhã quando espera-se que suas bases ratifiquem o acordo de paz alcançado com o governo.

Essa decisão será fundamental para pôr fim a mais de meio século de conflito armado e traçar o caminho para se transformar em um partido político após meio século de luta armada.

Segundo informações obtidas pela Agência Efe, da conferência sairá a instrução de fazer um congresso no qual esse "partido ou movimento" ficará oficialmente configurado com seus comandantes à frente e seu ideário posto sobre o papel.

Até o momento, nos debates da conferência tinham sido mencionados vários nomes, mas o que ganha mais força é o de Movimento Bolivariano por uma Nova Colômbia, o que faria com que as Farc percam sua sigla histórica.

Esse nome inclusive apareceu esta madrugada em um cartaz colocado em uma das construções temporárias do acampamento guerrilheiro instalado em El Diamante, uma área remota de Llanos del Yarí, entre os departamentos de Meta e Caquetá, onde está sendo realizada a Décima Conferência Nacional.

Enquanto isso, se vive "um dia decisivo", segundo explicou Luis Antonio Losada, conhecido como "Carlos Antonio Lozada", um dos dirigentes guerrilheiros, na declaração a veículos de comunicação que a cada dia faz um membro do Secretariado (comando colegiado da guerrilha) e na qual não há direito a perguntas.

"Lozada" também detalhou que várias das comissões nas quais se subdividiu a assembleia devem emitir hoje suas conclusões, embora provavelmente não sejam divulgadas até amanhã.

Essas comissões são as que trataram a transformação das Farc em um partido político e as "linhas mestras" que este terá, assim como o responsável da eleição de um novo Estado-Maior Central, que deve guiar a transição das Farc rumo à paz.

Os documentos que emitirem serão submetidos à votação dos cerca de 200 delegados que representam as unidades guerrilheiras de todo o país.

Para amanhã, último dia da conferência, ficarão as conclusões da declaração política, na qual espera-se que as Farc ratifiquem o acordo de paz, aprovem o abandono de armas e anunciem a transformação em um movimento político.

Até o momento, as Farc transmitiram uma imagem de total unanimidade sobre o acordo e os diferentes líderes que falaram com a imprensa garantiram que todos os delegados apoiaram o acordo de paz, sem exceção.

Entre esses delegados há um representante da Frente Primeira, que meses atrás emitiu um comunicado no qual anunciou que não acataria o acordo de paz, mas que respeitaria os que os demais integrantes das Farc decidissem.

De acordo com apurações da Efe, alguns dos líderes guerrilheiros se deslocaram até a região onde opera essa frente e depuseram os líderes que haviam se rebelado contra o acordo.

Eles foram substituídos por outros mais próximos ao Secretariado e que finalmente enviaram o delegado que se encontra em Llanos del Yarí.

Por enquanto não houve notícias sobre o pequeno grupo que teria sido afastado.

No entanto, fontes ligadas à conferência indicaram à Efe que as Farc chegaram unidas e com total unanimidade à Décima Conferência Nacional, e que as possíveis dissidências teriam um caráter "anedótico".

Deste modo, são poucas as possibilidades de que nasça uma dissidência numerosa que se transforme em um grupo criminoso, como os gerados após a desmobilização das paramilitares Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), ou que se unam a outros guerrilheiros.

Essa é uma das dúvidas que se espera que possa ser resolvida amanhã, quando o líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como "Timochenko", fará uma declaração pública após a conclusão da conferência.

O acordo de paz foi rubricado pelo governo colombiano e as Farc no último dia 24 de agosto e será assinado de maneira oficial na próxima segunda-feira 26 em Cartagena.

Posteriormente o acordo será submetido a uma consulta popular em um plebiscito que será realizado no dia 2 de outubro.

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