Economia colombiana se beneficia com acordo de paz entre governo e Farc

Laura Barros.

Bogotá, 23 set (EFE).- A Colômbia pretende melhorar seus indicadores econômicos e atrair mais turistas e investimentos ao fim de 52 anos de conflito com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mas reconstruir ou desenvolver as regiões afetadas pelo confronto será uma tarefa complexa que exigirá grandes investimentos.

A assinatura do acordo de paz, na próxima segunda-feira, vai representar para os colombianos a cristalização do sonho de reconciliação e o início de um esforço titânico para levar atendimento às regiões, assim como para cumprir com as condições pactuadas com a guerrilha para facilitar sua passagem para a vida civil.

Para o governo, a paz trará enormes dividendos ao país, refletidos em um crescimento adicional do PIB "de entre 1,1% e 1,9%" anual, e aumento de 20% do comércio no varejo e na indústria, de 30% do turismo e de 12% das exportações.

"Um dos dividendos mais representativos da paz no setor econômico será o aumento do investimento estrangeiro", afirma um estudo do Departamento Nacional de Planejamento (DNP), do Ministério de Comércio, Indústria e Turismo e do ProColombia, que calcula que esse fluxo de capitais "triplicará".

Segundo estes dados, em 2024 o país receberia US$ 36 bilhões em investimento estrangeiro direto (IED) e as exportações de bens e serviços podem chegar a US$ 61,370 bilhões, tudo por conta da paz.

No ano passado o IED foi de US$ 11,427 bilhões e as exportações somaram US$ 35,691 bilhões.

Outro tanto representará o turismo, que exibe um crescimento de 175% na chegada de visitantes estrangeiros ao país entre 2004 e 2015, até totalizar 4,4 milhões de viajantes.

"Para 2018 temos metas ambiciosas, entre elas a geração de US$ 6 bilhões em moeda estrangeira pelas contas associadas ao turismo, 300 mil novos empregos, cinco milhões de visitantes estrangeiros não residentes e 556 eventos captados do exterior", disse a ministra de Comércio, Indústria e Turismo, María Claudia Lacouture.

Essa expectativa parte do fato que, por causa do conflito, havia muitas regiões do país vetadas ao turismo, e que a Colômbia esteve durante anos na lista de destinos de risco dos Estados Unidos e de países europeus.

Os números de quanto custará à Colômbia concretizar a paz ainda não estão consolidados, mas algumas projeções indicam que a primeira década depois do conflito pode custar entre 80 trilhões e 90 trilhões de pesos (entre US$ 27,650 bilhões e US$ 31,107 bilhões de hoje), o que, segundo o centro de pesquisa Fedesarrollo, "implicaria em pouco mais de 1% do PIB por ano".

Um documento do Bank of America calculou que o custo do processo de paz estaria em uma categoria de entre 1,07% e 3,77% do PIB colombiano, que em 2015 foi de US$ 292,080 bilhões, segundo o Banco Mundial.

Estes números são pequenos frente aos US$ 179 bilhões que, segundo o estudo "Despesas de guerra na Colômbia", publicado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), custou ao país o confronto entre 1964, ano de fundação das Farc, e a atualidade.

O estudo compara essa despesa com o Plano Marshall idealizado pelos EUA para auxiliar a Europa depois da Segunda Guerra Mundial, que "consistiu em uma ajuda de US$ 13 bilhões da época para 18 países", que no câmbio de hoje seriam cerca de US$ 42 bilhões.

Segundo o diretor do Centro em Economia e Finanças da Universidade Icesi de Cali, Julio César Alonso, "é preciso ter um pouco de cuidado e ser realista" com os benefícios que se esperam do pós-conflito que virá com a assinatura do acordo de paz.

"Acredito que isso não será imediato. No começo pode ser bastante difícil vender duas coisas: primeiro a necessidade de maior receita tributária" e segundo, aumentar "a confiança do investimento estrangeiro no país", explicou à Efe.

Por sua vez, a economista Ana María Ibáñez, catedrática da Universidade dos Andes, advertiu que o conflito representou principalmente "custos econômicos para a população", que resumiu em aspectos como menor investimento em educação e em saúde, assim como atraso agrícola das regiões mais castigadas pelo conflito.

"O conflito aprofunda a desigualdade, reduz a renda da população mais pobre e pode gerar armadilhas de pobreza, que perpetuam esta condição", afirmou Ibáñez.

Segundo sua opinião, a paz com as Farc "vai reduzir as despesas econômicas das famílias e das empresas", mas advertiu que "se não forem feitos investimentos profundos e altos" os custos do conflito "podem perdurar".

"Têm que ser feitos investimentos que compensem esses custos que o conflito armado deixou", explicou Ibáñez, para quem só o fim do confronto "não vai mudar as coisas".

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