Hillary "segura" e Trump "defensivo" voltam à campanha após debate

Lucía Leal.

Washington, 27 set (EFE).- Os candidatos à presidência dos Estados Unidos retornaram nesta terça-feira à campanha com atitudes quase opostas após o debate de ontem, que deixou a democrata Hillary Clinton ainda mais segura de suas chances e o republicano Donald Trump carregado de queixas e com a bravata de ser mais duro no próximo encontro.

A maioria dos veículos de comunicação americanos, com base em pesquisas de grupos de eleitores, indicou Hillary como vencedora do debate desta segunda-feira na Universidade de Hofstra (Nova York), o primeiro dos três encontros entre os candidatos antes das eleições de novembro.

Mas Trump quis contestar esse consenso e apontou vários culpados por seus erros no debate, entre eles o moderador, Lester Holt, e um microfone supostamente defeituoso.

"O volume estava muito mais baixo que o dela e o som se cortava. Não podiam me ouvir na sala", protestou Trump em entrevista no programa de televisão "Fox and Friends", no qual também acusou Holt de evitar os temas mais espinhosos para Hillary enquanto lhe submetia a "perguntas hostis".

O magnata, que se manteve mais respeitoso que o habitual no debate, inclusive dizendo a Hillary que era "muito importante" para ele que ela se sentisse confortável, afirmou que pretendia ser mais agressivo, mas no último momento voltou atrás.

Trump disse que na parte final do debate, quando Hillary começou a reproduzir os insultos do magnata contra muitas mulheres, ele "iria atacá-la com as mulheres de seu marido", em referência às infidelidades do ex-presidente Bill Clinton.

"Mas decidi que não deveria fazer isso, porque sua filha estava lá. Acho que fiz o correto. Não me sentiria confortável fazendo isso com Chelsea no local", explicou o candidato republicano.

Embora ontem tenha se "contido" para "não ferir os sentimentos de ninguém", Trump advertiu que "pode ser que ataque mais duro" no próximo debate, programado para 9 de outubro.

O empresário voltou, além disso, a criticar à modelo americana-venezuelana Alicia Machado, vencedora em 1996 do concurso Miss Universo, então dirigido por Trump, e a quem Hillary mencionou durante o debate como exemplo das mulheres insultadas por seu rival.

"Era a pior, absolutamente a pior, era impossível (...). Era a vencedora, e (depois) ganhou uma quantidade de peso, e isso foi um verdadeiro problema", afirmou hoje Trump sobre Machado, que declarou seu apoio a Hillary e acusou o magnata de humilhá-la tanto que acabou sofrendo com bulimia e anorexia.

Diante da bateria de acusações lançadas por Trump, sua rival democrata se mostrou segura e radiante em um pronunciamento aos veículos de comunicação em Nova York.

"Alguém que se queixa do microfone não teve uma boa noite", alfinetou Hillary em referência às denúncias de Trump.

"Acredito que os espectadores tiveram uma verdadeira oportunidade de começar a comparar nossas políticas", opinou a ex-secretária de Estado, que destacou as diferenças quanto a "temperamento, capacidade e qualificações" entre os dois candidatos.

Hillary escolheu a Carolina do Norte para fazer campanha no dia seguinte ao debate, enquanto Trump tinha previsto um comício na última hora da tarde em Melbourne (Flórida) e uma reunião a portas fechadas com cerca de 100 lideranças hispânicas em Miami.

Ambos voltaram à rotina sem saber ainda os dados de audiência do debate, que pode ter sido o mais visto da história, e sem saber a resposta da pergunta mais importante após o encontro: se servirá a algum dos dois para convencer indecisos e ampliar seus apoios em uma corrida muito apertada.

Segundo a média de pesquisas elaboradas pelo site RealClearPolitics, Hillary tem uma ligeira vantagem de apenas 2,4 pontos percentuais, com 46,7 do apoio contra 44,3% de Trump, uma estreita liderança que se encontra dentro da margem de erro.

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