MSF confirma ataque a dois hospitais em Aleppo, com pelo menos dois mortos

Nações Unidas, 28 set (EFE).- A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirmou nesta quarta-feira que dois hospitais do leste de Aleppo (Síria) foram bombardeados nas últimas horas e disse que os ataques acabaram com a vida de pelo menos dois pacientes e feriram outro dois funcionários.

O fato tinha sido antecipado já por duas ONG médicas, embora a outra, o Observatório Sírio de Direitos Humanos, tinha negado a informação.

Segundo a MSF, que dava apoio aos dois hospitais, ambos registraram danos "severos" e foram obrigados a paralisar suas atividades, reduzindo de quatro a apenas dois o número de centros com serviços cirúrgicos que restam na parte oriental da cidade, a que está sob controle de grupos opositores.

"Segundo várias fontes médicas, só ficam sete cirurgiões na zona, atendendo a uma população estimada de 250 mil pessoas", afirmou em comunicado o chefe da missão da MSF para a Síria, Carlos Francisco.

Os bombardeios ocorreram horas antes de uma reunião do Conselho de Segurança, já prevista de antemão, sobre a proliferação de ataques contra instalações e pessoal humanitário.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, denunciou que os que estão desenvolvendo essas ações na Síria "sabem exatamente o que estão fazendo" e são conscientes de que "estão cometendo crimes de guerra".

Na sessão discursou, entre outros, a presidente da MSF, Joanne Liu, que denunciou o "incessante ataque sobre Aleppo por parte de forças russas e sírias durante os últimos dias".

O leste da cidade, em mãos dos rebeldes, é alvo desde quinta-feira passada de uma nova ofensiva do regime sírio, respaldada pelo Exército russo, o que disparou as tensões entre Rússia e EUA, que neste mês tinham negociado um cessar-fogo na Síria.

Hoje, o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, ameaçou seu colega russo, Sergei Lavrov, com a suspensão da cooperação bilateral no relativo à Síria a não ser que a Rússia atue "imediatamente" para acabar com essa ofensiva e restaurar a cessação de hostilidades.

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