Sudeste Asiático supera litoral da Somália como principal alvo de piratas

Helen Cook.

Manila, 30 set (EFE).- O Sudeste Asiático assumiu um lugar que era do litoral da Somália como principal centro da pirataria marítima, já que é onde acontece atualmente a maioria dos ataques e sequestros de embarcações por grupos armados e terroristas.

Neste ano, quase metade dos 98 ataques e sequestros realizados por piratas em todo o mundo aconteceu em águas do Sudeste Asiático, segundo dados do Escritório Marítimo Internacional (IMB na sigla em inglês).

Enquanto regiões como o litoral da Somália ou o golfo da Guiné viram uma drástica redução dos ataques piratas nos últimos anos, o Sudeste Asiático vive um constante aumento de atividades criminosas marítimas.

Em 2015, foi registrado um total de 178 ataques no Sudeste Asiático, especialmente na Indonésia, enquanto na Somália não aconteceu nenhum, diz um relatório do IMB.

Segundo os especialistas, a proliferação da pirataria no Sudeste Asiático foi facilitada de maneira significativa pela geografia local, já que as várias ilhas e a abundante vegetação do litoral permitem que os criminosos escondam suas embarcações rapidamente após os ataques.

Além disso, passam pela região 120 mil embarcações por ano e um terço do comércio marítimo mundial, "por isso para os piratas e ladrões nunca faltam oportunidades para saquear", disse no relatório o especialista em Sudeste Asiático Karsten von Hoesslin, que também critica uma "falta de resposta das comunidades regional e internacional".

"Ao contrário do que aconteceu com a pirataria da Somália, a do Sudeste Asiático não ganhou manchetes e não provocou patrulhas navais multilaterais ou estratégias de alto nível que vimos na África", explicou.

Segundo dados de Von Hoesslin, na região do Sudeste Asiático operam "de seis a oito redes criminosas", apoiadas por oficiais corruptos e fiscais de baixo perfil em todos os países da região.

Também está presente na região o grupo terrorista filipino Abu Sayyaf, que nos últimos meses realizou vários sequestros de pescadores e tripulantes de embarcações de carga de países vizinhos como Malásia ou Indonésia.

Embora o Abu Sayyaf tenha libertado dezenas de reféns neste ano após ter recebido pagamentos milionários, ainda mantém sob sua custódia 16 pessoas, das quais seis são de nacionalidade indonésia e três malaia, segundo números do exército filipino.

O aumento de sequestros pelo Abu Sayyaf é uma das principais razões pelas quais o novo presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, afirmou que acabar com estes terroristas é uma de suas prioridades.

Para isso, as forças armadas do país adotaram novas medidas para tentar pôr fim às atividades criminosas do Abu Sayyaf, sendo que a principal delas tem como objetivo limitar seus deslocamentos e já confiscou mais de 200 lanchas motoras.

"Estas embarcações são a principal forma de transporte do Abu Sayyaf em seus sequestros, e a primeira coisa que temos que fazer é neutralizá-las", explicou recentemente o chefe das forças armadas das Filipinas, o tenente-general Ricardo Visaya.

Em seus esforços para conter o Abu Sayyaf, Filipinas, Indonésia e Malásia também chegaram a um acordo em maio para estabelecer patrulhas conjuntas no mar de Jolo, a área de maior atividade do grupo terrorista.

Os três países também concretizaram medidas para melhorar a rapidez e a quantidade de informação que compartilham e estabelecerão centros em cada um deles para coordenar a vigilância naval e aérea.

Além disso, Duterte autorizou o acesso às águas territoriais filipinas para a marinha da Indonésia caso ela esteja perseguindo um grupo de piratas.

"O mundo deles está ficando menor, e em breve poderemos resolver este problema", disse o porta-voz das forças armadas das Filipinas, Restituto Padilla.

"Não vou dar nenhuma data, mas estamos fazendo o que podemos", acrescentou.

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