Farc declararão recursos de sua "economia de guerra" para reparar vítimas

Bogotá, 1 out (EFE).- As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram neste sábado que, como parte do acordo de paz assinado na segunda-feira passada, declararão perante o governo "os recursos monetários e não monetários" que compõem sua "economia de guerra", necessários para reparar suas vítimas do conflito armado.

"Conforme o estabelecido no acordo final, procederemos a reparação material das vítimas no marco das medidas de reparação integral, observando os critérios estabelecidos pela jurisprudência da Corte Constitucional a respeito dos recursos de guerra", assinalaram as Farc em comunicado.

A guerrilha acrescentou que essa declaração será feita "de maneira totalmente livre" e como parte do processo de cessação de fogo e de hostilidades bilateral e definitivo e de abandono de armas com o governo, que inclui a reunião dos guerrilheiros nas chamadas Zonas de Vereda Transitórias de Normalização (ZVTN) antes de sua desmobilização definitiva.

Nesse processo, que tem uma duração prevista de 180 dias, representantes das Farc "estabeleceriam com representantes do governo os procedimentos e protocolos para inventariar os bens incluídos no que viemos denominando recursos para a guerra e informar sobre os mesmos", acrescentou o comunicado.

"As Farc-EP manifestam que os recursos por inventariar integram sua economia de guerra e que por razões de ética política nunca fizeram nem fazem parte de patrimônios individuais", acrescentou o texto.

Segundo essa guerrilha, tudo o que possuem estará incluído nesse inventário, motivo pelo qual "declaram que a partir de agora não contam com recursos monetários nem não monetários adicionais aos que vão ser declarados durante o processo de abandono de armas".

No último mês de abril, a revista britânica "The Economist" causou revoo ao revelar que, segundo um estudo não divulgado de analistas do governo, as Farc têm uma fortuna calculada em US$ 10,5 bilhões que seria produto de atividades ilícitas como o narcotráfico, a extorsão e o sequestro.

Ao conhecer o anúncio de hoje, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, celebrou que as Farc tenham decidido declarar seus recursos e ressarcir às vítimas, uma exigência da sociedade que considera que essa tarefa não deve ser uma obrigação exclusiva do governo.

"Fruto do que foi estipulado, as Farc se comprometem a entregar recursos para reparar às vítimas", escreveu Santos em sua conta no Twitter.

Por sua parte, o chefe negociador do governo nos diálogos de paz, Humberto de la Calle, assegurou que o comunicado demonstra que nunca se mentiu à Colômbia porque sempre se disse que haveria reparação material "e esta é a demonstração de que haverá".

"É um grande anúncio, é uma muito boa notícia para a Colômbia, mas especialmente é uma boa notícia para a vítimas, isto mostra que estamos cumprindo os acordos, que tudo vai operar de acordo com o previsto", comentou.

Na terça-feira passada, um dia depois da assinatura da paz, o procurador-geral da Colômbia, Néstor Humberto Martínez, advertiu que as Farc deviam informar às autoridades do "patrimônio ilícito acumulado durante o conflito" antes da entrada em vigência do acordo ou, caso contrário, os crimes relacionados com esse dinheiro seriam julgados pela justiça comum e não pela transicional.

No início deste mês, durante uma visita aos Estados Unidos, Martínez fechou uma "aliança" com as autoridades desse país para buscar e extinguir o patrimônio ilícito que as Farc possam ter ocultado no exterior.

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