Renúncia de líder socialista abre caminho para formação de governo na Espanha

Fernando Pajares.

Madri, 1 out (EFE).- A renúncia do líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, derrotado neste sábado no Comitê Federal da legenda, abre o caminho para a formação de um novo governo na Espanha que possa, enfim, acabar com nove meses de interinidade.

Os representantes do setor crítico do PSOE, que conseguiram forçar a saída de Sánchez, são partidários de que o grupo socialista se abstenha no parlamento para que o conservador Mariano Rajoy, para quem faltam seis deputados para a maioria absoluta, possa formar governo.

O até hoje secretário-geral anunciou pessoalmente sua retirada depois que o Comitê Federal, órgão de direção do partido, votou contra sua proposta de realizar eleições primárias e um congresso extraordinário.

Este mesmo comitê nomeará imediatamente uma comissão gerente cujo único objetivo será dirigir o partido a um congresso federal que renove os órgãos de direção do PSOE.

Sánchez, que perdeu a votação por 133 votos a 107, pediu publicamente unidade ao partido, prometeu apoiar à nova Comissão Executiva, encarregada de aplicar as diretrizes do Comitê Federal, e se mostrou orgulhoso tanto de "militar no Partido Socialista" como de ter mantido suas "firmes convicções".

Às portas da sede do PSOE, no centro de Madri, vários grupos de pessoas, a maioria socialistas partidários do agora ex-secretário-geral, reagiram à sua renúncia com gritos de "Pedro, Pedro", enquanto alguns dos membros da direção saíam chorando.

O conclave do PSOE, que continuava noite adentro, foi tão tenso durante o dia todo que não faltaram gritos, graves acusações e até insultos entre os dois lados confrontados.

O setor crítico chegou a reunir assinaturas para apresentar uma moção de censura contra Sánchez, mas seu gesto foi desestimado pela mesa do Comitê Federal, que alegou razões estatutárias.

Por sua parte, a Comissão Executiva - interina desde que na quarta-feira passada quase metade de seus membros renunciou - instalou uma urna para votar a proposta de Sánchez, que consistia em realizar eleições primárias em 23 de outubro e um congresso extraordinário em novembro.

A votação começou, mas foi suspensa entre acusações de "fraude" por parte dos críticos, que se negaram a participar dela.

A complicada reunião socialista começou de manhã com quatro horas de atraso porque não havia acordo sobre a ordem do dia, sobre quem podia votar que e sobre outras questões puramente regulamentares.

Sánchez tinha advertido na véspera que renunciaria a seu cargo se o Comitê Federal derrubasse suas propostas, que implicavam em manter o "não" a Rajoy e, muito provavelmente, a realização de terceiras e indesejadas eleições gerais.

Hoje se consumou a crise mais grave na história moderna do PSOE, um partido que governou a Espanha em 21 de seus 39 anos de democracia.

A queda de Sánchez aconteceu porque os críticos consideraram que sua Executiva já não representava o partido; porque acharam que não era possível o "governo alternativo" que o já ex-dirigente socialista esperava liderar e, por fim, porque lhe responsabilizaram pelas quatro eleições, duas gerais e duas regionais, perdidas em menos de um ano.

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