Com apelo por paz, papa Francisco conclui visita ao Azerbaijão

Cristina Cabrejas.

Baku, 2 out (EFE).- O papa Francisco fez neste domingo no Azerbaijão um novo apelo para que as religiões colaborem na solução dos conflitos e que nunca mais haja violência em nome de Deus, durante o encontro inter-religioso que teve na mesquita Heidar Aliyev na capital Baku.

Francisco concluiu sua visita de cerca dez horas ao Azerbaijão, país de maioria muçulmana, aonde chegou hoje após dois dias na Geórgia, com um encontro inter-religioso com o líder dos muçulmanos do Cáucaso, Allahshukur Pashazadeh, e representantes ortodoxos e judeus.

O papa se descalçou e entrou na mesquita que leva o nome do presidente azerbaijano anterior e voltou a reiterar: "Mais uma vez, deste lugar tão significativo, se eleva o grito afligido: 'Sem mais violência em nome de Deus!'".

O pontífice pediu em seu discurso que as religiões sejam "caminhos de encontro e reconciliação para ajudar a resolver conflitos onde as tentativas de mediação oficiais parecem não surtir efeito".

"Na noite dos conflitos que estamos atravessando, as religiões são auroras de paz, sementes de renascimento entre devastações de morte, ecos de diálogo que ressoam sem descanso, caminhos de encontro e reconciliação para chegar ali onde as tentativas de mediação oficiais parecem não surtir efeito", destacou.

Francisco declarou aos representantes religiosos que "Deus não pode ser invocado por interesses partidários e fins egoístas, não pode justificar forma alguma de fundamentalismo, imperialismo ou colonialismo".

Para Francisco, as confissões religiosas têm uma "grande responsabilidade para oferecer respostas autênticas à busca do homem, frequentemente perdido nos vertiginosos paradoxos de nosso tempo".

Além disso, advertiu que "surgem cada vez mais as reações duras e fundamentalistas daqueles que, com a violência da palavra e dos gestos, querem impor atitudes extremas e radicalizadas, as mais distantes do Deus vivo".

Pelo contrário, o papa ressaltou como as religiões "ajudam a discernir o bem e colocá-lo em prática com as obras, com a oração e com o esforço do trabalho interior".

Ao dirigir-se aos representantes religiosos, Francisco lhes instou "a dar uma resposta que não pode ser adiada por mais tempo, para construir juntos um futuro de paz".

Por sua parte, o líder dos muçulmanos do Cáucaso, o xeque Allahshukur Pashazadeh, que hoje se reuniu com Francisco antes do encontro inter-religoso, elogiou "o protesto" do pontífice ao negar-se a "vincular o nome do islã ao terrorismo, e também sua dura condenação às causas reais do terrorismo", assim como "seus incisivos discursos contra os casos de xenofobia".

"Apreciamos seus esforços na resolução de conflitos em nome da paz no mundo durante suas viagens e a importância que dá ao diálogo religioso", acrescentou.

O papa Francisco também se reuniu hoje com o presidente, Ilham Aliyev, a quem lembrou o drama de muitos conflitos "que se alimentam da intolerância, fomentada por ideologias violentas e pela negação prática dos direitos dos mais pobres".

Perante as autoridades azerbaijanas, ressaltou a necessidade de "opor-se eficazmente a estes perigosos desvios, é necessário que cresça a cultura da paz, a qual se nutre de uma incessante disposição ao diálogo" e a busca de "soluções compartilhadas, mediante leais e constantes negociações".

Como já fez em sua viagem à Armênia no último mês de junho, Francisco também pediu esforços para uma solução pacífica do conflito territorial pelo enclave de Nagorno Karabakh, que confronta Yerevan e Baku desde 1988 e que em abril experimentou uma nova escalada após ter permanecido latente durante mais de duas décadas. EFE

ccg/rsd

(foto)

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