Referendo sobre refugiados na Hungria não alcança quórum para ser validado

(Atualiza com dados oficiais).

Budapeste, 2 out (EFE).- O Escritório Eleitoral da Hungria (NVI) confirmou neste domingo que, ao não alcançar a participação necessária, o referendo sobre o sistema de realocação de refugiados não pode ser validado.

Os sufrágios válidos alcançaram 43,3%, menos que o patamar de 50% do censo, e, segundo a NVI e com 94% da apuração, dentro desses votos o apoio ao "não" alcançou 98,24%, enquanto os apoios ao "sim" representaram 1,76%.

Algumas figuras do governo já tinham antecipado os resultados e Gergely Gulyás, vice-presidente do partido governamental Fidesz, destacou que se trata de uma vitória arrasadora do "não".

Independentemente de sua validade, políticos do partido conservador governamental anteciparam que a grande maioria de "nãos" dá um "mandato" ao Executivo para sua "luta" em Bruxelas contra as cotas da União Europeia.

O primeiro-ministro conservador, Viktor Orbán, que já contava que a alta abstenção ameaçaria o resultado, declarou hoje que não importa a validade do referendo, mas que o "não" ganhe com amplitude, o que todas as pesquisas anteciparam.

O resultado é um revés para Orbán, que tinha investido uma grande energia na campanha do referendo, e para o governo, que promoveu uma controvertida campanha na qual vinculava os imigrantes e refugiados com o terrorismo e a criminalidade.

O partido de Orbán pôde contar com o apoio do partido ultradireitista Movimento por uma Hungria Melhor (Jobbik), que convocou seus partidários a votar no "não".

Mesmo assim, o presidente do Jobbik, Gabor Vona, opinou que, se o referendo não for válido, "Orbán, tal como fez David Cameron (ex-premiê britânico que renunciou após o referendo do "Brexit"), deveria renunciar".

Por sua vez, os partidos de esquerda estimularam o boicote à consulta, enquanto 22 ONGs pediram que a população anulasse o voto.

Orbán e seu governo se opõem categoricamente ao sistema de realocação de refugiados entre os países comunitários e definiu como "ingênua" a atual política europeia sobre migração e considera que a chegada em massa de refugiados muçulmanos representa "um perigo para a cultura húngara e europeia".

O referendo e a campanha do governo receberam críticas no interior e exterior do país por serem considerados uma forma de criminalizar os refugiados.

Há um ano Hungria ergueu cercas em suas fronteiras meridionais para deter os milhares de refugiados que cruzavam seu território em direção ao norte da Europa, e introduziu leis que castigam a entrada ilegal no país com até cinco anos de prisão.

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