Referendo sobre refugiados na Hungria registra alta abstenção

Budapeste, 2 out (EFE).- Menos de 40% dos húngaros com direito a voto (39,88%) participaram neste domingo do referendo promovido pelo governo contra as cotas de refugiados da União Europeia, quando se necessita da participação de mais da metade do Censo para que o resultado seja válido.

O Escritório Nacional Eleitoral (ONE) informou sobre este dado da participação 90 minutos antes do fechamento dos centros de votação.

Estes são os últimos resultados parciais de participação que serão divulgados e a tendência mostra que será difícil que se possa alcançar o patamar de mais de 50% de participação.

O presidente da ONE, András Patyi, antecipou que "é provável que a participação seja maior que 40%, mas menor que 50%", segundo informou a agência "MTI".

Cerca de 8,3 milhões de húngaros foram convocados para responder "sim" ou "não" à pergunta: "Você quer que a UE disponha, sem o consentimento do parlamento (da Hungria), sobre o assentamento obrigatório de cidadãos não húngaros na Hungria?".

Coincidindo com as pesquisas prévias, a participação foi baixa durante toda a jornada e, apesar da energia e do dinheiro gastos na campanha eleitoral pelo governo de Viktor Orbán, os húngaros parecem ter lançado uma forte mensagem no referendo ao não sair de casa.

Consciente da muito provável alta abstenção, Orbán já adiantou de manhã, após votar, que não importa a validade do referendo, mas que o "não" ganhe com amplitude.

"Sempre é melhor um referendo válido que um inválido, mas as consequências legais serão aplicadas", afirmou, sem descartar que o governo proponha uma emenda constitucional, embora não tenha antecipado mais detalhes.

O partido de Orbán pôde contar com o apoio do partido ultradireitista Movimento por uma Hungria Melhor (Jobbik), que convocou seus partidários a votar no "não".

Mesmo assim, o presidente do Jobbik, Gabor Vona, opinou que, se o referendo não for válido, "Orbán, tal como fez David Cameron (ex-premiê britânico que renunciou após o referendo do "Brexit"), deveria renunciar".

Por sua vez, os partidos de esquerda estimularam o boicote à consulta, enquanto 22 ONGs pediram que a população anulasse o voto.

Orbán e seu governo se opõem categoricamente ao sistema de realocação de refugiados entre os países comunitários e fizeram uma campanha na qual relacionaram os refugiados com o terrorismo e a criminalidade, apelando ao medo.

O primeiro-ministro da Hungria definiu como "ingênua" a atual política europeia sobre migração e considera que a chegada em massa de refugiados muçulmanos representa "um perigo para a cultura húngara e europeia".

O referendo e a campanha do governo receberam críticas no interior e exterior do país por serem considerados uma forma de criminalizar os refugiados.

Há um ano Hungria ergueu cercas em suas fronteiras meridionais para deter os milhares de refugiados que cruzavam seu território em direção ao norte da Europa, e introduziu leis que castigam a entrada ilegal no país com até cinco anos de prisão.

A expectativa é que a ONE apresente ainda esta noite números sobre a porcentagem de participação, mas os dados definitivos e oficiais serão divulgados apenas na quarta-feira.

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