EUA suspendem contatos bilaterais com a Rússia em relação à Síria

Washington, 3 out (EFE).- Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira a suspensão de seus contatos bilaterais com a Rússia nos temas referentes à Síria e a retirada de seus militares que se preparavam para coordenar com Moscou ataques a grupos terroristas, devido à contínua ofensiva russa e do governo sírio em Aleppo.

"Os EUA suspenderam sua participação em canais bilaterais com a Rússia que foram estabelecidos para sustentar o fim das hostilidades. Esta não é uma decisão que tenha sido tomada superficialmente", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, em comunicado.

O secretário de Estado americano, John Kerry, ameaçou suspender na quarta-feira passada a cooperação com a Rússia para conter a violência na Síria, a não ser que Moscou tomasse ações "imediatas" para deter a ofensiva em Aleppo e permitir o fluxo de ajuda humanitária às populações sitiadas.

A decisão afasta ainda mais a possibilidade de um cessar-fogo e do reinício das conversas de paz, cujos principais mediadores foram Estados Unidos, o país com maior influência direta sobre os rebeldes sírios, e Rússia, aliado tradicional de Bashar al Assad.

"Os Estados Unidos não pouparam esforços para negociar e tentar implementar um acordo com a Rússia com o objetivo de reduzir a violência, proporcionar acesso humanitário sem restrições e debilitar as organizações terroristas que operam na Síria, entre eles o Daesh (acrônimo em árabe para Estado Islâmico) e o braço da Al Qaeda na Síria", garantiu Kirby.

"Infelizmente, a Rússia fracassou na hora de cumprir seus próprios compromissos, e não quis ou não pôde assegurar a adesão do regime sírio aos acordos. Ao invés disso, a Rússia e o regime escolheram a via militar, incoerente com a interrupção de hostilidades, como demonstram seus intensos ataques contra áreas civis", acrescentou o porta-voz.

Como consequência do fim da coordenação bilateral, espera-se que os Estados Unidos retirem sua equipe técnica que estava em Genebra para negociar com a Rússia um novo acordo de cessar-fogo, similar ao estipulado pelos dois países no dia 9 de setembro e que fracassou após uma semana em vigor.

"Os Estados Unidos também retirarão o pessoal que se preparava para o possível estabelecimento do Centro de Implementação Conjunta", explicou Kirby.

O Centro de Implementação Conjunta é o mecanismo com o qual os Estados Unidos e a Rússia planejavam coordenar suas ações na Síria no combate ao Estado Islâmico (EI) e à Frente al Nusra (Al Qaeda), uma vez que se assegurasse o cumprimento da trégua e a entrega de ajuda humanitária durante uma semana, com base no acordo firmado em 9 de setembro.

Apesar dessa decisão, o Pentágono manterá ativo seu "canal de comunicações com a Rússia" para evitar percalços entre seus aviões que realizam "operações contra o terrorismo na Síria", para "assegurar a segurança de seu pessoal militar e permitir a luta contra o Daesh", disse Kirby.

Agora, resta saber qual será a estratégia americana para o conflito na Síria a partir de agora, já que o presidente Barack Obama solicitou há alguns dias que seus funcionários lhe apresentassem opções alternativas à cooperação com a Rússia.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos