Itália resgata cerca de 6 mil imigrantes e 9 corpos no Canal da Sicília

(Atualiza com balanço de mortos e detalhes).

Roma, 3 out (EFE).- Cerca de 6 mil imigrantes foram resgatados nesta segunda-feira no Canal da Sicília enquanto navegavam do norte da África rumo à Itália, mas nove pessoas acabaram morrendo na travessia, informaram à Agência Efe fontes da guarda costeira italiana.

Por enquanto, foram resgatados 5.648 imigrantes, mas este número deve aumentar, pois, segundo as mesmas fontes, os serviços de salvamento marítimo ainda continuam com os trabalhos de resgate, que está em fase de conclusão.

Além disso, foram localizados os corpos de nove pessoas que morreram durante a travessia marítima, sete delas em um mesmo bote.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), que resgatou 2 mil pessoas em sete horas, detalhou que uma das vítimas é uma jovem grávida que, "esgotada pela viagem", não resistiu e morreu imediatamente após ser socorrida por uma das embarcações da ONG, a "Dignity I".

Entre os imigrantes resgatados, as equipes de socorro tiveram que remover de maneira urgente uma mulher grávida e uma menina em condições graves, que foram hospitalizadas em um centro clínico da ilha italiana de Lampedusa, no sul do país.

Participam da operação de salvamento embarcações da guarda costeira e da marinha italiana, do dispositivo comunitário EUNavforMed e de várias organizações humanitárias, como a MSF e a MOAS, de Malta, entre outros.

Esta nova onda de imigrantes acontece logo "no primeiro dia de mar tranquilo e decente" em uma semana, já que, segundo a guarda costeira, as fortes ondulações dos últimos dias reduziram visivelmente o trânsito migratório no Mediterrâneo.

O crescimento dessas chegadas acontece justamente no dia em que a Itália lembra o episódio que ficou conhecido como "desastre de Lampedusa", quando 366 imigrantes morreram durante o naufrágio ocorrido em 3 de outubro de 2013 em frente a essa ilha da Sicília.

A tragédia deu origem à operação "Mare Nostrum", um dispositivo de patrulha italiano posicionado no Canal da Sicília para prestar socorro às embarcações improvisadas lotadas de imigrantes e tentar evitar futuras catástrofes que, no entanto, voltaram a se repetir.

A Itália dedicou o dia de hoje para celebrar a Jornada Nacional em Memória das Vítimas da Imigração e várias autoridades do país, além de dezenas de sobreviventes, foram ao local do desastre para prestar homenagem aos mortos na tragédia.

O ministro do Interior da Itália, Angelino Alfano, afirmou que "o naufrágio de três anos atrás era uma tragédia italiana, e agora é uma jornada europeia", em alusão ao aumento dos meios de salvamento procedentes da União Europeia.

No entanto, Alfano alertou que "esta data serve como um último chamado para a Europa, que não pode permanecer observando da sacada o que ocorre no Mediterrâneo", e pediu que os países comunitários respeitem os pactos de realocação de refugiados.

De acordo com os números divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério de Relações Exteriores e Cooperação da Itália, neste ano os meios italianos salvaram quase a metade dos imigrantes localizados no Mediterrâneo Central.

Aproximadamente 25% dos imigrantes que chegam ao país são mulheres e menores não acompanhados, as categorias mais vulneráveis. EFE

gsm/rpr

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