Temer afirma que alta abstenção demonstra "decepção" com classe política

Buenos Aires, 3 out (EFE).- O presidente Michel Temer disse nesta segunda-feira em Buenos Aires que o alto nível de abstenção registrado nas eleições municipais deste domingo representou "uma decepção" com a "classe política em geral" e uma mensagem para que os partidos reformulem "costumes inadequados".

Em entrevista coletiva em Buenos Aires junto com o presidente argentino, Mauricio Macri, com quem havia se reunido pouco antes, Temer foi consultado pelo alto índice de abstenção, atribuído pelos analistas à decepção dos eleitores com os partidos envolvidos em casos de corrupção, incluindo o PMDB.

"Não se pode relativizar (a decepção) com o partido A ou B. É uma mensagem que se dá à classe política brasileira para que ela reformule costumes inadequados. Vejam o candidato em São Paulo que se elegeu no primeiro turno e falava que era gestor, não político", declarou Temer, em alusão ao prefeito eleito da capital paulista, João Doria (PSDB).

O índice de abstenção em nível nacional se situou em 17,6%, o que significa que mais de 25 milhões de eleitores dos 144 milhões convocados às urnas decidiu não votar.

"De qualquer maneira, houve um exercício democrático muito positivo, muito acentuado no nosso país, quebrando um ritmo que se vê ao longo da história do Brasil, de que a cada 25 ou 30 anos você tem um problemas insolúveis. Você até muda de Constituição, você até cria um novo Estado", comentou.

Além disso, considerou que no atual momento "temos tal uma normalidade democrática e isso não está sendo necessário".

"Recebemos a mensagem, sem dúvida nenhuma. Acredito que todos os partidos a receberam. E escutei comentários ontem à noite precisamente na direção de sua pergunta", acrescentou Temer.

Sobre seu partido, o presidente comemorou, ressaltando que ainda não tinha os últimos dados, que tenha aumentado "em seis ou sete" prefeituras em relação à eleição anterior.

"É um partido com muita capilaridade porque sempre temos o maior número de prefeituras. E é especialmente agora interessante que não diminuímos o número", acrescentou.

Temer defendeu ainda seu papel durante a campanha e no próprio dia de votação. "Não participei de nenhuma campanha porque a base parlamentar era muito ampla. Não saí da sala da Presidência da República, nem fui ao meu estado", destacou.

Quando questionado sobre o motivo de não ter ido votar neste domingo no horário divulgado para a imprensa, o presidente riu e disse que teve de antecipar o horário devido a um compromisso.

Temer negou que estivesse fugindo de manifestantes. "Protestos são naturais, um rescaldo do que aconteceu no país. Mas, surgiu um compromisso", garantiu.

"Agora, se havia protestos mais tarde e os evitei, melhor para mim e para a democracia", completou.

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