Hamas condena decisão do governo palestino de adiar eleição

Gaza, 4 out (EFE).- O movimento Hamas, que governa de fato na Faixa de Gaza, condenou nesta terça-feira o anúncio governamental de adiar em quatro meses as eleições palestinas, seguindo à decisão do Tribunal Supremo ontem de impedir que elas aconteçam em Gaza e dar sinal verde na Cisjordânia.

"O movimento rejeita todo atraso das eleições locais e insiste que se realizem na data e no momento correto", afirmou o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, que acusou o executivo liderado por Rami Hamdallah de "tentar confundir e evitar as eleições".

Zuhri disse que considera o presidente palestino, Mahmoud Abbas, "totalmente responsável por essas decisões" e acusou o movimento que ele preside, o Fatah, de "não respeitar as leis nem as decisões da Comissão Eleitoral Central".

"O Hamas não aceitará estas decisões absurdas nem que se brinque com o processo democrático palestino. O gabinete palestino, após consultar o presidente Mahmoud Abbas decidiu adiar as eleições locais em quatro meses", anunciou nesta manhã o primeiro-ministro em comunicado que acrescentava que o pleito "acontecerá no mesmo dia em todas as localidades, levando em conta os procedimentos legais".

Hamdallah garantiu que o atraso é para permitir que as leis e sistema judiciário na Cisjordânia e em Gaza se unifiquem a fim de celebrá-las em ambos os territórios.

As eleições municipais palestinas foram convocadas em junho para 8 de outubro, mas a Corte Suprema decidiu suspendê-las 8 de setembro em resposta a várias reivindicações contra sua realização em Gaza que consideravam que lá os tribunais não são capazes de garantir um processo transparente.

O Supremo anunciou ontem a decisão final: ordenou continuar com as municipais só na Cisjordânia e pediu à Comissão Eleitoral Central que fixe uma nova data no prazo de um mês.

A decisão em setembro de suspender o pleito aconteceu horas depois de um tribunal de Gaza anular cinco listas com candidaturas do Fatah, causando indignação no movimento.

As últimas eleições que aconteceram em Gaza foram as legislativas de 2006, que ganhou Hamas com maioria absoluta. A divisão política desde então e a recusada pelo Hamas impediram que os 1,8 milhão de moradores do território voltem a expressar sua vontade nas urnas. As últimas presidenciais palestinas aconteceram em 2005 e as municipais em 2012, mas só na Cisjordânia.

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