OMS afirma que já tem plano pronto para retirar feridos de Aleppo, na Síria

Genebra, 4 out (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) elaborou um plano para a remoção de feridos e doentes da zona leste de Aleppo, no norte da Síria, e o entregou ao escritório do enviado especial da ONU para o país árabe, Staffan de Mistura.

"Nossa ideia é retirar todas as pessoas feridas e também os doentes. A OMS está pronta para ajudar", disse em entrevista coletiva Fadela Chaib, porta-voz da OMS.

A funcionária da organização, no entanto, revelou que tinha recebido confirmação da existência do plano hoje mesmo e que não tinha detalhes.

"Não tenho informações concretas sobre o plano, para quantas pessoas, como seria feito, etc.", afirmou Fadela, que também lembrou que essas evacuações só poderão ser feitas se as condições de segurança permitirem, o que não acontece atualmente.

"É preciso deixar bem claro que as remoções não poderão ser feitas enquanto não tivermos acesso e condições de segurança necessárias. Enquanto isso não acontece, não podemos fazer nada", acrescentou a porta-voz da OMS.

Além disso, Fadela não soube responder se o governo sírio recebeu o projeto ou não, mas antecipou que a OMS está em contato com hospitais do oeste de Aleppo, a parte da cidade controlada pelo regime, e com alguns hospitais turcos para ver se eles poderiam receber os evacuados, em caso de necessidade.

A zona leste de Aleppo, que é controlada pelos rebeldes, está submetida a uma intensa campanha de bombardeios por parte do regime e de seus aliados russos há três semanas, o que deixou centenas de vítimas.

Segundo os últimos dados com os quais a OMS conta, de 23 de setembro a 2 de outubro, 342 pessoas morreram, entre elas 106 crianças; e 1.129 ficaram feridas, 261 deles menores de idade.

"Sabemos que esse número é baixo e que o real é muito maior, já que só conhecemos as vítimas registradas pelos centros de saúde", especificou Fadela.

Com relação ao número de hospitais que ainda permanecem em operação, a porta-voz disse que dois deles ficaram completamente destruídos após os intensos bombardeios, por isso existem apenas seis que atualmente funcionam de forma parcial, mas apenas um deles tem capacidade de lidar com os casos de trauma.

Além disso, Fadela explicou que o único centro de diálises da zona leste, que foi bombardeado há poucos dias, passou por alguns reparos e 60 pessoas "poderão continuar vivendo graças às transfusões que necessitam".

Com relação à quantidade de médicos que permanecem na cidade, a porta-voz da OMS disse que o número segue em torno de "30", que estão trabalhando em "condições heroicas", e por isso o plano de evacuação também inclui uma parte de apoio aos profissionais de saúde, mas não ofereceu detalhes sobre essa parte.

Em relação aos bombardeios contra hospitais e áreas povoadas por civis, e se isso constitui um crime de guerra, Rupert Colville, porta-voz do alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, disse que esse extremo deve ser confirmado por um tribunal, levando em conta os princípios de distinção (entre civis e militares), proporção (se a ameaça justificava o bombardeio de civis) e precaução (evitar vítimas civis).

Colville comentou que alguns desses ataques também poderiam constituir crimes contra a humanidade, e não crimes de guerra, se ficar comprovada a intenção, mas reiterou que isto deverá ser determinado por uma corte de Justiça.

Por outro lado, Jens Laerke, porta-voz da OCHA (Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU) disse que, por enquanto, as Nações Unidas não receberam autorização do governo sírio para realizar missões de assistência humanitária de emergência em outubro.

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