Ativista Joshua Wong é detido na Tailândia a pedido da China

Bangcoc, 5 out (EFE).- Joshua Wong, o ativista de Hong Kong que liderou os protestos democráticos em 2014, foi detido nesta quarta-feira na Tailândia e será deportado outra vez pelas autoridades do país asiático, que agiram após um pedido da China.

Wong foi detido pelas autoridades de imigração durante sua chegada no Aeroporto de Bangcoc, onde amanhã daria uma palestra em uma universidade, informou sua organização, Demosisto, através de mensagem publicada em sua página de Facebook.

O ativista tinha sido convidado pelo estudante tailandês Netiwit Chotipatpaisal, que na mesma mensagem indicou que as autoridades tailandesas tinham recebido uma carta do governo chinês e que seus pedidos para ver Wong foram negados.

Em declarações à Agência Efe, Netiwit disse que Wong permanecia detido nas dependências de imigração e que previa que seria deportado no primeiro voo para Hong Kong.

As autoridades tailandesas não emitiram nenhum comunicado para confirmar oficialmente a situação do ativista.

No entanto, fontes da polícia de imigração afirmaram para a emissora "Voice TV" que Wong foi indiciado sob acusações de ameaça à segurança do Estado e confirmaram que o ativista será deportado hoje às 14h (hora local).

Antes, tanto o departamento de Imigração como seu escritório no aeroporto negaram à Efe ter conhecimento da detenção.

Nathan Law, que ao lado de Wong liderou a chamada "Revolução dos Guarda-Chuvas", disse em comunicado no Facebook que durante nove horas havia tentado se comunicar com Wong sem sucesso e que espera que o Secretário de Justiça de Hong Kong, Rimsky Yuen, que chegará hoje a Bangcoc, interceda no caso.

Wong tinha sido convidado para dar uma conferência sobre seu ativismo a favor da democracia, na comemoração do massacre de estudantes da Universidade de Thammasat, que amanhã completa 40 anos.

No dia 6 de outubro de 1976, mais de uma centena de estudantes foram mortos por grupos paramilitares ultramonárquicos e de extrema-direita dias após um protesto contra o retorno ao país de dois ditadores derrubados três anos antes.

Os estudantes ficaram presos no campus da universidade antes dele ser invadido pelos ultras, que mataram dezenas deles e feriram centenas, o que levou muitos outros a juntar-se aos guerrilheiros comunistas ou fugir para o exílio.

A detenção de Wong foi criticada por organizações como Human Rights Watch, que através de seu subdiretor para a Ásia, Phil Robertson, recriminou a Tailândia sua vontade de ceder perante China.

"Wong deve ser libertado imediatamente e deve ser autorizado a viajar e exercer seu direito à liberdade de expressão", disse Robertson em comunicado.

Wong foi deportado em maio de 2015 da Malásia, depois que as autoridades locais impediram sua entrada no país para participar de vários fóruns sobre o movimento pro-democrático de Hong Kong e o massacre de Praça da Paz Celestial, ocorrido em 1989, que custou a vida a centenas de pessoas nas mãos das forças de segurança do regime de Pequim.

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