Braço direito de Putin é eleito presidente da Câmara dos Deputados da Rússia

Moscou, 5 out (EFE).- Considerado o ideólogo do atual governo da Rússia, o deputado Vyacheslav Volodin foi eleito nesta quarta-feira presidente da Duma, a Câmara dos Deputados do país, cargo para o qual foi proposto pelo partido comandado pelo presidente Vladmir Putin, o Rússia Unida.

Volodin, que até agora era subchefe da Administração presidencial, recebeu o apoio de 404 dos 450 deputados que compõem a câmara baixa do parlamento russo, ou seja, as 344 cadeiras que o Rússia Unida obteve nas eleições legislativas de 18 de setembro e mais 60 votos de outros partidos.

O Partido Comunista propôs um de seus deputados para o cargo, Dimitri Novikov, mas este recebeu o apoio de menos de 50 parlamentares.

A eleição de Volodin era um segredo aberto depois que Putin o propôs para o cargo na semana passada.

Volodin substituirá Sergei Narishkin, que tinha manifestado seu desejo de continuar na presidência da Duma, mas acabou assumindo hoje a chefia do Serviço de Inteligência Exterior (SIE).

Em seu discurso hoje diante dos deputados para apresentar sua candidatura, Volodin destacou que "a Duma deve ser obrigatoriamente um lugar para o debate e o diálogo", em clara alusão a um de seus antecessores no cargo, Boris Gryzlov, que pronunciou a famosa frase que "a Duma não é um lugar para o debate".

Para Volodin, todos os partidos com representação parlamentar devem ter a oportunidade de participar da tomada de decisões, apesar de o partido governista ostentar uma arrasadora maioria.

Além disso, o agora presidente da Câmara pediu aos deputados que não ignorem a opinião dos russos que votaram em partidos que não entraram no círculo parlamentar, em referência aos liberais e aos nacionalistas.

Volodin também ressaltou que "a pressão sem precedentes" à qual a Rússia vem sendo submetida por parte dos países ocidentais exige que os distintos grupos parlamentares pactuem suas ações.

O novo presidente da Duma é considerado por analistas e opositores como o autor das leis repressivas adotadas pelo Kremlin desde que Putin retornou à presidência em maio de 2012.

O partido do Kremlin obteve uma vitória arrasadora nas últimas eleições parlamentares, apesar de contar com os mais baixos índices de popularidade de sua história.

O Rússia Unida, que por seu monopólio do poder foi comparado com o Partido Comunista da União Soviética, alcançou uma maioria constitucional de 344 cadeiras, de um total de 450, resultado que até a comissão eleitoral considerou "surpreendente".

Além disso, compõem a Duma legisladores da chamada "oposição sistêmica", que normalmente apoiam as iniciativas legislativas do governo, 42 deputados do Partido Comunista, 39 do Partido Liberal Democrático da Rússia (PLDR) do ultranacionalista Vladimir Zhirinovski, e 23 do social-democrata Rússia Justa, além de dois deputados de dois partidos minoritários.

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