Chefe militar dos talibãs em Kunduz morre em combates com tropas afegãs

Cabul, 5 out (EFE).- O chefe militar dos talibãs na operação para dominar Kunduz morreu nesta quarta-feira, após ficar ferido nos combates que chegam a seu terceiro dia em meio ao contra-ataque das tropas afegãs, que conseguiram expulsar os insurgentes do centro da cidade.

O mulá Salam, que era "governador na sombra" dos talibãs na região, ficou ferido durante um bombardeio aéreo e morreu em um hospital no distrito de Chahar Dara da província de Kunduz, declarou à Agência Efe o porta-voz do governador provincial, Mahmoud Danish.

Segundo o porta-voz, o mulá Salam era responsável por "grandes atividades terroristas", por isso sua morte deve enfraquecer muito os talibãs em Kunduz, onde desde a terça-feira, com o contra-ataque das tropas afegãs, morreram dezenas de insurgentes.

"A situação dentro da cidade está um pouco melhor, mas estão sendo registrados fortes confrontos nos arredores", explicou Danish.

Os combates contra os talibãs contam com a participação das forças americanas, segundo informou o departamento de imprensa dos Estados Unidos em Cabul, ao assegurar que nesta quarta-feira o país apoiou "duas vezes" os aliados que eram atacados por "fogo inimigo".

Além disso, os EUA informaram que as forças de segurança afegãs "controlam Kunduz" e só ocorrem "confrontos esporádicos na cidade", como parte do trabalho das tropas para "assegurar a área".

No entanto, o porta-voz do governador de Kunduz alertou sobre bombardeios com morteiros contra casas que causaram um número indeterminado de civis mortos e feridos.

A diretora do hospital regional de Kunduz, Marzia Salam Yaftali, chamou a atenção em seu perfil no Facebook para a chegada ao centro de saúde de pelo menos 165 feridos, dos quais apenas 12 eram combatentes.

Além disso, revelou que é crítica a situação no hospital, que só conta com 30% do pessoal. Os médicos começam a ir embora após trabalharem sem descanso durante os últimos três dias e pela carência de mantimentos.

"Se não recebermos pessoal adicional, remédios, e não forem instalados centros de saúde alternativos móveis, o desafio ficará ainda mais complicado e isto pode se tornar uma tragédia", desabafou a diretora do hospital.

O ataque dos talibãs contra Kunduz começou na madrugada da segunda-feira passada, pouco mais de um ano após que conseguirem tomar a cidade e controlá-la durante dois dias em sua maior conquista militar desde 2001.

Os talibãs foram ganhando terreno no país desde que a Otan pôs fim à missão militar no dia 1º de janeiro de 2015, e atualmente, de acordo com fontes americanas, mantêm o controle de aproximadamente um terço do país.

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