Imagens de ONU indicam que comboio humanitário foi bombardeado na Síria

Genebra, 5 out (EFE).- O ataque contra um comboio humanitário que se dirigia à cidade de Aleppo, no norte da Síria, em 19 de setembro, e que deixou por volta de 20 mortos, foi consequência de um bombardeio aéreo, é o que indicam imagens de satélite exibidas nesta quarta-feira durante uma entrevista coletiva de um especialista do programa UNOSAT das Nações Unidas.

"Nossa análise permitiu determinar que foi um ataque aéreo e penso que há várias outras fontes que indicam o mesmo", afirmou o assessor do UNOSAT, Lars Bromley.

O UNOSAT é um programa especializado na pesquisa de aplicações para satélites e na análise das imagens que estes transmitem.

Ao exibir uma série de imagens do local preciso onde o comboio composto por 31 caminhões - dos quais 18 foram destruídos - foi atacado, o especialista explicou que a natureza do ataque pode ser determinada pelo tipo de impacto.

"No caso de ataques aéreos, o que normalmente se observa é o tamanho da cratera e sua natureza", detalhou Bromley.

Nas imagens mostradas durante a entrevista coletiva, é possível ver primeiro uma estrada sem danos, pela qual passaria o comboio, e edificações em ambos as margens. Já uma imagem posterior mostra exatamente o mesmo lugar, mas com três grandes crateras na estrada.

Após o ataque contra o comboio, que era uma operação conjunta da ONU e do Crescente Vermelho da Síria, os Estados Unidos responsabilizaram a Rússia assinalando que tinham detectado dois aviões russos que sobrevoavam a região quando ocorreu o ataque.

A Rússia negou qualquer envolvimento no episódio e afirmou que o comboio pegou fogo, provavelmente após ser atingido por artilharia terrestre.

Qualquer evidência de que o que realmente aconteceu foi um bombardeio aéreo implicaria a responsabilidade das forças governamentais sírias, ou da aviação russa, que oferece apoio ao regime de Bashar al Assad há um ano, já que os grupos rebeldes não contam com aviões.

A ONU afirma que não tem certeza da natureza do ataque e seu secretário-geral, Ban Ki-moon, ordenou uma investigação a respeito.

Bromley disse que, até agora, nenhuma instância da ONU solicitou a seu programa que compartilhe as imagens.

Durante sua exposição, Bromley também mostrou imagens de satélite de diferentes distritos de Aleppo captadas entre 18 e 30 de setembro, período no qual os combates foram retomados com ainda mais violência, após uma semana de trégua negociada por EUA e Rússia.

As imagens mostram sempre os mesmos lugares antes e depois dos bombardeios, evidenciando a enorme destruição sofrida em bairros residenciais, recintos escolares e instalações industriais.

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