Política externa e retórica de Trump monopolizam debate de vices nos EUA

Raquel Godos.

Farmville (EUA), 4 out (EFE).- A política externa e as polêmicas afirmações que Donald Trump fez ao longo da campanha eleitoral dominaram o primeiro e único debate entre os candidatos à vice-presidente dos Estados Unidos, realizado nesta terça-feira, em Farmville (Virgínia), entre o senador democrata Tim Kaine e o governador de Indiana, o republicano Mike Pence.

Ambos candidatos à vice-presidência se enfrentaram em um debate tenso, onde inverteram os papéis de seus companheiros de chapa, sendo Kaine apresentando uma personalidade mais agressiva, enquanto Pence utilizou mais a calma para compensar a imagem rude passada por Trump durante a campanha.

O debate, que foi dividido em nove segmentos de dez minutos cada, acabou protagonizado pela política externa, onde as relações do magnata com a Rússia e o papel de Hillary Clinton no comando da diplomacia americana ocuparam grande parte da agenda.

Logo no início, o governador de Indiana afirmou que o "Iraque foi invadido pelo Estado Islâmico (EI) porque Hillary Clinton não conseguiu renegociar" a presença das forças americanas nesse país quando foi secretária de Estado (2009-2013).

Pence acusou Hillary de ser parte de um governo de Barack Obama que deixou o "mundo fora de controle" ao longo dos quase oito anos em que esteve na Casa Branca.

"Na esteira da etapa de Hillary Clinton como secretária de Estado, onde foi a arquiteta da política externa do governo de Obama, vemos áreas inteiras do mundo, em particular a região do Oriente Médio, literalmente, fora de controle", disse.

"A situação que estamos vendo agora na Síria é o resultado da fracassada política externa que Hillary Clinton ajudou a criar e dirigir nesta administração", afirmou o republicano.

Mas Pence prosseguiu com o conflito entre Rússia e Ucrânia, dando munição para Tim Kaine contra-atacar com os elogios públicos feitos por Trump ao presidente russo, Vladimir Putin.

"Os senhores amam a Rússia. Ambos disseram que Vladimir Putin é melhor líder que o presidente (Barack Obama)", interrompeu o senador democrata.

Em uma intervenção posterior, Kaine reiterou que tanto Donald Trump como Mike Pence "elogiaram diversas vezes Vladimir Putin" e afirmou que "está claro" que o magnata "tem relações comerciais com os oligarcas russos, que estão muito conectados" com ele.

"A equipe de campanha de Trump teve que ser despedida há um mês por causa dessas conexões sombrias com as forças pró-Putin.(...) Vladimir Putin afundou sua economia, persegue o povo LGBT e os jornalistas. Se o senhor não sabe a diferença entre ditadura e liderança, então tem que ir de novo para uma aula de Educação Cívica de quinto grau", ironizou o democrata.

Quando perguntado sobre sua abordagem sobre os refugiados sírios, Pence explicou que sua proposta é "suspender o programa" para admiti-los no país, assim como proibir a imigração "de áreas do mundo que estão ligadas ao terrorismo".

"É claro que temos diferentes pontos de vista sobre os temas de refugiados e imigração. Hillary e eu queremos fazer aplicar a lei sobre a base daquelas pessoas que são perigosas. Estas meninos dizem que todos os mexicanos são maus", lembrou Kaine, sobre as afirmações de Trump contra eles, os acusando de estupradores e criminosos sem exceção.

"Isso é absolutamente falso", tratou de contestar Pence, sobre esse assunto, que Kaine tirou lembrou várias vezes ao longo do debate. O republicano acabou tentando minimizar o tema com: "Você está novamente com essa coisa mexicana".

Kaine lançou mão de hemeroteca para lembrar a polêmica retórica de Trump, defendida por Pence, tentando argumentar que a verdadeira campanha baseada em insultos neste ciclo eleitoral é a protagonizada pelos democratas.

"Bom, deixe-me dizer, em primeiro lugar, que senador, o senhor e Hillary Clinton sabem muito sobre uma campanha impulsionada pelo insulto. É realmente notável", disse em várias ocasiões o governador.

"Se Donald Trump tivesse dito todas as coisas que dizem que ele disse, e as tivesse dito na forma como dizem que ele as disse, não seria nem uma fração dos insultos ditos por Hillary Clinton, quando afirmou que a metade de nossos seguidores são deploráveis. Disse que eram incorrigíveis, que não eram americanos", afirmou o republicano.

No entanto, o tom menos agressivo de Pence, e sua estratégia de não tentar justificar as afirmações de Trump, mas abordar os temas de outra perspectiva, fez com que a maioria dos analistas e pesquisas dos grandes veículos de imprensa tenham lhe considerado vencedor do debate, embora por uma pequena margem.

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