Rússia suspende acordo de pesquisa nuclear com Estados Unidos

Moscou, 5 out (EFE).- A Rússia suspendeu nesta quarta-feira o acordo de cooperação com os Estados Unidos em matéria de pesquisa nuclear e energética, informou o governo russo em comunicado.

"As ações dos EUA na hora de impor sanções contra a Rússia repercutiram diretamente na cooperação contemplada no acordo" de pesquisa nuclear, diz a nota oficial.

O texto destaca que, em abril de 2014, a agência nuclear russa, Rosatom, recebeu uma carta do Departamento de Energia dos EUA na qual este lhe informava sobre a suspensão da cooperação no âmbito da energia nuclear "devido aos eventos na Ucrânia".

"Tais passos da parte americana representam uma significativa violação das condições do acordo, cujo objetivo é ampliar a cooperação em pesquisa científica e inovação nos âmbitos nuclear e energético", afirmou o governo russo no comunicado.

Além disso, Moscou lembrou que o acordo assinado em setembro de 2013 em Viena, na Áustria, incluía projetos de segurança nuclear, uso de energia atômica com fins pacíficos, planejamento de centrais nucleares, novos tipos de combustível nuclear, uso de tecnologia radioativa na medicina e na indústria, entre outros.

Sobre a suspensão do acordo com os EUA, o novo chefe do comitê de Assuntos Internacionais da Duma, a Câmara dos Deputados da Rússia, Leonid Slutski, assegurou hoje que a cooperação nuclear com os EUA ficou abalada pelas tensas relações entre os dois países.

"A cooperação em uma esfera tão sensível como a energia nuclear só é possível com uma potência na qual você realmente confia", afirmou Slutski.

A decisão de suspender a cooperação acontece dois dias depois que o presidente russo, Vladimir Putin, decidiu suspender o tratado com os Estados Unidos para a reconversão de plutônio militar.

Embora essa decisão ainda necessite da aprovação da Duma, os analistas consideram que o tratado será extinto, já que as condições impostas por Putin para reconsiderar sua decisão são inaceitáveis para os EUA.

Entre outras coisas, o presidente russo exigiu o levantamento das sanções, a compensação dos prejuízos causados e a retirada de armamento e tropas americanas nos países que entraram na Otan a partir do ano 2000.

Precisamente, Putin substituiu hoje o diretor da Rosatom, Sergei Kiriyenko, que assumirá o cargo de subchefe da Administração presidencial.

Kiriyenko, que dirigia a Rosatom desde 2005, foi substituído pelo até agora vice-ministro de Economia, Alexei Likhachev, segundo informou o Kremlin.

Apesar de tudo, a Rússia insistiu hoje que segue comprometida com o programa de desarmamento estratégico e, de fato, pediu a Washington que cumpra com o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, sigla em inglês), que determina a redução do número de mísseis de médio e curto alcance.

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