Guerra que os EUA nunca quiseram completa 15 anos

Jairo Mejía e Baber Khan.

Washington/Cabul, 6 out (EFE).- Após 15 anos da invasão americana do Afeganistão, a guerra no país centro-asiático ainda não chegou ao fim, e os talibãs, retirados do governo em novembro de 2001, voltaram a ter grande peso político.

Dizem os participantes das reuniões do governo americano nos dias posteriores aos atentados de 11 de setembro de 2001 que a invasão do Afeganistão foi elaborada em poucas horas, impelida pela urgência de responder às quase 3 mil mortes daquele trágico dia.

Em outubro de 2001, os Estados Unidos iniciaram no Afeganistão uma campanha relâmpago que derrubou o governo dos talibãs em pouco mais de um mês e deu início a uma guerra contra o terrorismo extremista que passou de George W. Bush a Barack Obama e continuará na agenda de quem vencer as eleições presidenciais de novembro.

Os talibãs resistem a ser mandados para o ostracismo e são hoje novamente muito influentes em um vasto país que continua a ser um ótimo esconderijo para grupos radicais islâmicos e túmulo de soldados americanos.

Os Estados Unidos nunca tiveram a intenção de invadir o Afeganistão talibã, mas o 11/9 colocou este país, que virou o refúgio montanhoso da Al Qaeda e de Osama bin Laden, no centro da estratégia do Pentágono.

Atualmente os talibãs controlam, segundo o Pentágono, um território onde vive 10% da população, continuam mantendo sua capacidade de ataque ao longo da vital Estrada 1 e avançam de maneira tenaz sobre a cidade de Kunduz e áreas do nordeste.

Os talibãs, que ainda se negam a falar de um acordo de paz com o governo de Cabul, garantem que controlam 35% do país e continuam a registrar avanços em centros urbanos, que segundo fontes consultadas pela Efe eles querem utilizar para transferir escritórios e líderes que agora operam na clandestinidade no Paquistão.

Para os Estados Unidos, a guerra do Afeganistão se transformou em rotina, em um conflito de segunda ordem que não tem o mesmo destaque na mídia da guerra contra o Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque. Porém, contam nele com quase 10 mil soldados em um papel de treinamento e operações especiais.

Os americanos lembram a aridez da guerra do Afeganistão quando chegam as notícias de compatriotas mortos. A mais recente foi a de Adam S. Thomas, um sargento de 31 anos que estava patrulhando uma nova frente aberta contra o EI perto da fronteira com o Paquistão.

Segundo o chefe das tropas americanas no Afeganistão, o general John Nicholson, Thomas, o sétimo soldado americano morto neste ano no país, foi atingido pela detonação de um explosivo improvisado na maior operação até o momento contra milícias leais ao EI.

Há dois anos, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seus aliados da Otan deram por encerradas as operações de combate no país após 13 anos - já era o conflito armado mais longo da história americana.

O papel de combate, as patrulhas e os postos de controle são funções agora das Forças Armadas afegãs, que neste ano sofreram um grande número de baixas e seguem sem poder controlar regiões ao longo da fronteira com o Paquistão, o sul do país ou áreas montanhosas no interior.

Só na última semana de agosto - o conflito no Afeganistão passou a se intensificar após o fim do longo inverno - morreram mais de 120 soldados afegãos em diversos confrontos, segundo informações internas do Pentágono obtidas pelo jornal "The Washington Post".

Mas a guerra, que ainda castiga as zonas rurais mais remotas de um país remoto, fica longe de Cabul, onde os anos de ferrenho controle talibã, as burcas e as execuções sumárias deram lugar a outro estilo de vida.

Casas de dois andares saíram de cena para a construção de arranha-céus, estradas de terra foram asfaltadas, e o cenário de manhãs nas quais estudantes com turbante seguiam por ruas vazias para recitar o Corão foi substituído pelo de engarrafamentos e o caminhar de centenas de meninos e meninas rumo ao colégio.

O estádio Ghazi, que há 15 anos reunia aqueles que queriam ver alguém morrer a tiros ou degolado tornou-se um fervedouro de torcedores de futebol, e os cinemas voltaram a abrir para aqueles que sonham com um Afeganistão moderno e em paz.

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