Moradores de Miami esperam furacão "Matthew" com os dedos cruzados

Ana Mengotti.

Miami (EUA), 6 out (EFE).- Os moradores de Miami aguardam o furacão "Matthew" nesta quinta-feira com os dedos cruzados para que não impacte em sua cidade e, se o fizer, não se repita o caos que seguiu "Wilma", o último ciclone que passou pela cidade, em outubro de 2005.

Miami, que junto com sua área metropolitana tem mais de seis milhões de habitantes, passou toda esta semana se preparando para seu encontro com "Matthew", um furacão que alcançou a máxima categoria (5 da escala Saffir Simpson) e castigou Colômbia, Haiti, Jamaica, Cuba e Bahamas com fortes ventos e chuvas.

Matthew chegará à Flórida com categoria "3 ou mais", segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos, mas ainda não se sabe se apenas bordeará a costa do estado rumo ao norte ou se tocará terra.

Algumas projeções indicam que a aterrissagem, se chegar a acontecer, seria ao norte de Miami, em Palm Beach.

Na quarta-feira as cortinas metálicas com as quais se fecham hermeticamente as portas e janelas para proteger os imóveis, e também os mais modestos, mas igualmente úteis tabuões de madeira, eram vistos por todas partes e davam um ar fantasmagórico, de lugar abandonado, à chamada "Cidade Mágica".

Também se podia ver ao cair a tarde em postos de gasolina, supermercados e lojas de ferragens os atrasados, esses que sempre deixam para último momento as obrigações que tem todo residente do sul da Flórida quando os alarmes são acionados pela iminente chegada de um ciclone.

Embora tenham se passado 11 anos desde "Wilma", os deveres seguem sendo os mesmos: comprar água, alimentos prontos, velas, lanternas e pilhas, encher o tanque do carro de gasolina, sacar dinheiro e colocar as cortinas, tabuões ou o que se encontre para que os ventos do furacão não entrem em casa ou no escritório.

Também é essencial estar inteirado de toda informação que se publica sobre o ciclone, olhar gráficos sobre cones de ação e trajetórias e fazer conjeturas sobre se passará ou não por Miami.

O que os moradores de Miami esperam que não seja igual a "Wilma" é o que vem depois do furacão, que para os que já viveram antes a experiência, estão bem protegidos e não se põem em risco costuma ser a parte mais temida.

Além de sofrer danos tanto pessoais como no lar, não ter eletricidade é talvez o pior de tudo, entre outras muitas coisas porque significa não ter ar condicionado em uma cidade na qual o calor e a umidade não costumam dar sossego até dezembro.

"Wilma" deixou sem eletricidade durante dias mais de seis milhões de pessoas. Segundo a Florida Power & Light Company (FPL), a principal subministradora de eletricidade do sul da Flórida, cerca de 1,2 milhão de usuários podem ficar sem energia por causa do furacão "Matthew".

A companhia garante "estar pronta para responder" ao desafio, com uma força de mais de 12.000 operários, entre funcionários e terceirizados, para solucionar os problemas que podem apresentar-se e restabelecer o serviço onde este for interrompido.

Em 2005 houve usuários que tiveram que esperar mais de 15 dias para voltar a viver como no século 21.

A destruição produzida por "Wilma", que impactou Miami com ventos de até 200 km/h, paralisou empresas, lojas, aeroportos e praticamente toda a atividade comercial.

A cidade esteve oito dias sob um toque de recolher devido aos saques e roubos que se produziram após a passagem do furacão, quando a luz se foi e os alarmes de segurança deixaram de funcionar.

O prefeito do condado de Miami Dade, Carlos Jiménez, destacou nesta semana que a região metropolitana está mais preparada agora que há uma década para fazer frente a uma situação pós-furacão.

Segundo disse, os supermercados e os postos de gasolina contam com geradores, razão pela qual, em caso de corte no abastecimento elétrico, devem poder atender ao público sem demora assim que passar o perigo do ciclone.

Na quarta-feira em um percurso de carro pelos postos de gasolina de Coral Way, uma das artérias viárias de Miami, muitos mostravam cartazes que diziam que a gasolina tinha acabado ou diretamente tinham cones de plástico ou outros obstáculos para impedir a passagem às bombas de combustível.

Em 2005 a falta de combustível nos postos de gasolina e a impossibilidade de fazê-la subir do depósito à mangueira por falta de eletricidade se transformou em um pesadelo.

Desde segunda-feira os moradores da cidade foram submetidos a um constante bombardeio de mensagens qualificando "Matthew" com adjetivos como "monstruoso" e "letal" e pedindo-lhes que estejam preparados para o pior.

No entanto, em comparação com outros lugares da região caribenha, o número de vítimas mortais dos furacões na Flórida é sempre inferior.

"Andrew", recordado como o furacão mais letal, provocou 20 mortes em sua passagem pelo sul do estado em 1992. Os danos materiais são, pelo contrário, sempre milionários.

Os danos de "Wilma" nos EUA são calculados em US$ 21 bilhões, um número muito distante dos US$ 108 bilhões de "Katrina", outro furacão que impactou o sul da Flórida em 2005, o mais custoso da história e também menor que os US$ 26,9 bilhões de "Andrew", segundo dados do NHC.

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