Rússia devolve ao Cazaquistão crânio de herói nacional cazaque

(Corrige o ano do assassinato no primeiro parágrafo).

Astana, 6 out (EFE).- O crânio de Nurmagabet Kokembayuli, um herói nacional cazaque assassinado pelos bolcheviques em 1923, chegou nesta quinta-feira ao Cazaquistão procedente de Moscou após ser devolvido pelo governo russo, que conservava o crânio em um museu de São Petersburgo.

"Os restos de 'Keiqui-batir' (como Kokembayuli é conhecido no país centro-asiático) chegaram a Astana na madrugada de hoje. Agora planejamos fazer uma análise de DNA para identificar a autenticidade do crânio", explicou à agência "Kazinform" o diretor do Museu Central Estatal cazaque, Nursan Alimbay.

O cientista húngaro Andras Biro será o responsável por realizar o estudo biológico dos restos mortais de 'batir' (herói em cazaque).

Em 1916, em plena Primeira Guerra Mundial - quando o atual Cazaquistão integrava a extensa região do Turquestão, do Império Russo, que abrangia quase todo o território da Ásia Central - Kokembayuli liderou uma rebelião popular contra as autoridades czaristas, que convocaram a população local para integrar as fileiras do império.

A rebelião foi esmagada pelo czar Nicolau II, mas, após a revolução de 1917, todo o império se transformou em cenário de uma guerra civil, durante a qual Kokembayuli lutou contra os dois grupos (czaristas e bolcheviques) pela independência do Cazaquistão.

Em abril de 1923, com o fim do conflito civil, Keiqui-batir foi capturado, abatido e decapitado pelo Exército Vermelho.

Anos depois, o crânio foi levado para a Câmara dos Horrores (Kunstkamera) de São Petersburgo, uma exposição de fetos criada no século XVIII por Pedro, o Grande, e integrada hoje em dia na coleção do Museu de Antropologia e Etnografia da Academia das Ciências da Rússia.

A devolução dos restos de Kokembayuli foi solicitada durante anos por Astana e o acordo foi fechado em reunião entre o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, e seu até há pouco colega cazaque, Karim Masimov.

O historiador cazaque Shoptibai Baydildin, autor de uma pesquisa sobre Kokembayuli, lembrou que "muitos heróis nacionais foram transformados em monstros pela propaganda soviética".

"Por isso a vida do lendário Keiqui-batir, tachado de bandido, continua sem ser bem conhecida até hoje", lamentou Baydildin, que contou ter levado uma vida inteira para reunir documentação e testemunhos sobre a vida de Kokembayuli.

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