França leva proposta sobre cessar-fogo na Síria ao Conselho de Segurança

Nações Unidas, 7 out (EFE).- A França anunciou nesta sexta-feira que levará ao Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução para exigir um cessar-fogo na Síria que está sendo negociado há uma semana, mas a Rússia, que tem poder de veto, já adiantou que não irá apoiá-lo.

"Não podemos mais perder tempo", afirmou o embaixador francês na ONU, François Delattre, ao término de uma reunião a portas fechadas do Conselho que analisou o conflito na Síria e, especificamente, a tragédia vivida na cidade de Aleppo.

Delattre disse que a proposta de resolução tem "forte apoio de praticamente todos os membros do conselho", e anunciou que nas próximas horas colocará o texto "em azul", ou seja, sua inclusão na agenda do conselho.

A iniciativa mencionada por Delattre, apoiada por França e Espanha, está circulando desde o fim da semana passada, a partir de uma primeira minuta, mas ainda não chegou à mesa do Conselho de Segurança para que seja submetida à votação.

Entre outras coisas, a proposta pede a todas as partes o cessar-fogo na Síria, incluindo "o fim de todos os bombardeios aéreos" que estão sendo realizados nas áreas mais atingidas, começando com Aleppo, a cidade mais importante do norte do país.

Também exige que seja facilitado o acesso de assistência humanitária à população civil e propõe o fortalecimento de mecanismos para garantir que o cessar-fogo seja respeitado.

O diplomata francês disse que Aleppo vive uma "emergência absoluta" e está se transformando em uma "bomba-relógio".

Se o procedimento for concluído hoje mesmo, a resolução poderia ser apreciada em uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança que pode acontecer neste fim de semana. Para isso, uma convocação formal teria que ser feita nas próximas horas.

O Conselho de Segurança da ONU está presidido este mês pela Rússia, cujo embaixador, Vitaly Churkin, deu a entender que a proposta de resolução defendida por França e Espanha tem poucas possibilidades de sucesso.

"Tenho a suspeita de que querem levar essa resolução em frente para que a Rússia a vete", afirmou Churkin em declarações aos jornalistas.

Na última segunda-feira, Churkin criticou os pontos da resolução referidos ao monitoramento do cessar-fogo e lamentou que, em algumas ocasiões anteriores, os grupos rebeldes que lutam contra o regime de Bashar al Assad não respeitaram outras tréguas.

Hoje, o diplomata russo insistiu que algumas partes do texto são "prejudiciais". "Não posso ver como podemos permitir que essa resolução seja aprovada", insistiu Churkin.

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