Etiópia declara estado de emergência para conter protestos

Adis-Abeba, 9 out (EFE).- O governo da Etiópia declarou neste domingo o estado de emergência durante um período de seis meses para conter a expansão dos protestos em Oromia e Amara, duas das regiões mais importantes do país, após a morte de dezenas de pessoas e a destruição de várias propriedades.

O primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desalegn, realizou o anúncio do estado de exceção em discurso na televisão pública nacional.

A medida, adotada na noite de sábado em reunião extraordinária do governo, tem o objetivo de tentar conter os crescentes protestos, que embora tenham ocorrido durante todo o último ano, ficaram mais violentos há uma semana.

Os distúrbios aumentaram depois que, no domingo passado, pelo menos 52 pessoas morreram em uma correria provocada por uma intervenção policial durante um festival tradicional no qual se escutaram gritos contra o governo.

Embora esse seja o número de mortos oficial após a repressão policial na "Irrecha", a maior festividade dos oromo, ativistas e opositores elevam para centenas a quantidade de pessoas que perderam a vida só no domingo passado, que se somam às cerca de 400 que morreram nos protestos do último ano.

Na última semana, grupos de manifestantes provocaram grandes danos em diversas instituições públicas e empresas privadas, entre elas negócios estrangeiros.

"A situação geral, incluindo a destruição de instituições governamentais e negócios, indica que nosso país está à beira do caos. Isto ameaça nossa soberania e existência como nação", disse Desalegn ao longo do discurso.

Durante o estado de emergência, o governante Frente Revolucionária Democrática do Povo Etíope (EPRDF) iniciará um diálogo político com organizações da sociedade civil e partidos da oposição, como reivindicaram recentemente, afirmou o primeiro-ministro.

Os protestos começaram a ocorrer em novembro de 2015, quando os oromo, o maior grupo étnico do país, começou a pedir mais autogoverno, presença nas instituições políticas etíopes e uma maior redistribuição da riqueza.

Os oromo também pedem respeito a sua identidade, já que vivenviaram uma marginalização e perseguição sistemática por parte das forças governamentais, que utilizaram a força contra seus protestos pacíficos em mais de uma ocasião.

O regime autoritário etíope enfrenta um movimento de contestação antigovernamental sem precedentes nos últimos anos, que também conta com a participação da etnia amara, o segundo grupo majoritário, que também se consideram marginalizados pelo governo de Desalegn.

O regime dos amara, apoiado pelo governo militar anterior e uma estirpe de imperadores, foi substituído pela liderança dos tigray, a etnia minoritária que sustenta o atual partido governante, após a queda do ditador comunista Mengistu Haile Mariam em 1991.

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